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Wilson Lima entrega o Governo aos políticos.

Grupos empresariais que cercam o governador Wilson Lima (PSC) desde o início do mandato não têm mais o monopólio do poder. Acuado pelos pedidos de impeachment que chegaram em onda à Assembleia Legislativa, ele decidiu entregar nacos importantes da administração aos políticos, que rejeitava a princípio. A área social, a assistência à produção no interior e setores da Saúde já estão nas mãos deles. É o ocaso prematuro de uma gestão que prometia implantar no Amazonas a “nova política”.
A primeira a receber um afago do governador foi a deputada Alessandra Campelo (MDB). Ela não compareceu à sessão em que os deputados aprovaram o requerimento pedindo ao presidente Jair Bolsonaro que promovesse uma intervenção na Saúde do Estado, mandando um duro recado de insatisfação. Resultado: Wilson não hesitou em sacar João Paulo Marques da Secretaria Executiva da Saúde, que comanda boa parte da gestão do setor, e colocar no lugar dele o engenheiro civil Marcellus Campelo, primo da parlamentar.
Ao contrário do que se especulou, o crescimento de Campelo no Governo não significa uma adesão do presidente do partido dela a Wilson. O senador Eduardo Braga continua distante do governador e não poupa críticas a ele nos bastidores. A interlocutores, tem dito que não foi consultado pela deputada em nenhum momento e que foi sucessivamente rejeitado todas as vezes em que ofereceu ajuda à atual administração.
O segundo contemplado com cargo importante no Governo foi o deputado Saulo Vianna (PTB), um dos mais fieis escudeiros do governador na Assembleia Legislativa. Foi dele a nomeação do ex-deputado Waldenor Cardoso, o “Bolacha”, para o comando do Instituto de Desenvolvimento do Amazonas (Idam), função que já foi dele no governo do cassado José Melo (PROS).
Para acomodar Cardoso, Wilson exonerou Eda Maria Oliva Souza, funcionária de carreira do Idam e mãe do deputado federal Delegado Pablo Oliva (PSL), que não ficou nada satisfeito com a medida e já anunciou aos amigos que, a partir de agora, está na trincheira de oposição ao governador. A avaliação dentro do Governo é a de que ele nunca demonstrou apoio explícito à administração. Por isso, não fará falta.
O Idam é o órgão do Estado mais espalhado pelo interior. Sua influência sobre os produtores rurais é enorme e o capital político que gera também.
SOCIAL NAS MÃOS DA POLÍTICA
Um setor que Wilson mantinha distante dos políticos agora está totalmente nas mãos deles. O governador decidiu tirar da direção da Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas) a assistente social Marcia de Souza Sahdo, que tinha atuação eminentemente técnica. Coube a ela no primeiro ano de governo organizar uma verdadeira bagunça instalada no órgão e colocar de pé projetos realmente importantes para a sociedade. Fez isso com certo sucesso porque não sofria a pressão para atender pedidos fisiológicos.
Para o lugar dela Wilson nomeou Marcilia Teixeira da Costa, uma conhecida operadora da área social, que foi uma das principais auxiliares da ex-primeira dama Nejmi Aziz, quando o atual senador Omar Aziz (PSD) era governador. Muitos enxergam na nomeação o dedo do parlamentar, que sempre usou a área social como braço político.
A tendência é que a Seas agora passe a atender os interesses dos deputados, destinando recursos e principalmente ranchos aos municípios onde eles querem eleger prefeitos nas eleições municipais deste ano. Uma reprise do que acontecia nos tempos de Omar no governo.
Omar, aliás, é um dos mentores dessa mudança de rota do governo Wilson Lima. Agindo sempre nas sombras, ele tornou-se o principal conselheiro do governador. Conseguiu instalar numa sala ao lado da do chefe do Executivo, na sede governamental, seu ex-assessor de imprensa, Jefferson Coronel. Mesmo sem nenhum cargo formal na gestão, é ele hoje quem mais influencia a postura e os movimentos de Lima.
O senador aproximou-se do governador por meio da família Calderaro, espécie de tutora de Wilson Lima, de quem sempre foi próximo.
DE OLHO NO IMPEACHMENT
A face mais visível da mudança de rota do Governo, além das novas nomeações, foi a reunião com onze deputados ontem, ocasião em que anunciou a liberação de R$ 55 milhões em emendas parlamentares. Para disfarçar o benefício político, o governador anunciou que os recursos seriam totalmente investidos na Saúde. Os parlamentares, entretanto, indicam onde querem alocar o dinheiro, o que por si só já é um grande incentivo.
Estavam na reunião os deputados Adjunto Afonso (PDT), Mayara Pinheiro (progressistas), Felipe Souza (Patriota), Saullo Vianna (PTB), Joana Darc (PL), Dr. Gomes (PSC), Ricardo Nicolau (PSD), Carlinhos Bessa (PV), Alessandra Campelo (MDB), Roberto Cidade (PV) e Augusto Ferraz (DEM). São onze, sendo um licenciado (Nicolau). Wilson só precisa de nove para barrar o processo de impeachment.
Afonso, Pinheiro, Souza e Ferraz estavam reticentes em apoiar o governador. Ao que tudo indica, mudaram de ideia e devem ser contemplados com novas nomeações.
Resta saber se resistirão à pressão que o voto aberto colocará sobre eles.

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