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Violência cresce em 10 anos e tem redução em 2018, aponta Atlas

Manaus – O Atlas da Violência 2020 divulgado nesta quinta-feira (27), mostrou que o número de homicídios no Amazonas teve um aumento de 85,8% entre 2008 e 2018. Os registros desse tipo de crime saltaram de 830 para 1.542 no período analisado. Em sentido inverso, houve queda de -7,9% em 2018, se comparado com ano anterior. O estudo é feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Ainda de acordo com o Atlas, o número de negros mortos no Amazonas aumentou 83,8% nos 10 anos analisados. “Um fator que conspirou a favor do aumento dos homicídios, entre 2016 e 2017, em alguns Estados, sobretudo do Norte e do Nordeste, foi a guerra desencadeada entre as duas maiores facções penais no Brasil (Primeiro Comando da Capital – PCC e Comando Vermelho – CV) e seus parceiros locais, que eclodiu em meados de 2016, gerando número recorde de mortes no Acre, Amazonas, Pará, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte”, diz trecho da pesquisa.

Homicídios ocorrem diariamente no Amazonas, segundo a Polícia Civil (Foto: Marcos Lima / Divulgação)

Especialistas dizem que ajudam a explicar esse dado as condições socioeconômicas da população negra, que a expõem mais frequentemente à violência, assim como o racismo que estigmatiza uma parcela da população e impõe sobre ela um uso de força desmedida. Ligado a esses fatores também está a cooptação dos mais vulneráveis pelas facções criminosas, cujas disputas de território e poder são marcadas pelos assassinatos em série.

No Brasil, os homicídios são a principal causa de mortalidade de jovens, grupo etário de pessoas entre 15 e 29 anos. Esse fato mostra o lado mais perverso do fenômeno da mortalidade violenta no País, na medida em que mais da metade das vítimas são indivíduos com plena capacidade produtiva, em período de formação educacional, na perspectiva de iniciar uma trajetória profissional e de construir uma rede familiar própria.

Em 2018, das vítimas de homicídios, 30.873 eram jovens, o que significa uma taxa de 60,4 homicídios a cada 100 mil jovens, ou 53,3% do total de homicídios do País. Nessa faixa etária, no Amazonas, o aumento foi de 78,6% na década analisada.

Roraima lidera o ranking de Estado mais periogoso para jovens na faixa etária, seguido de Rio Grande do Norte, Ceará, Amapá, Bahia, Sergipe, Pará, Acre, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco, Goiás, Amazonas, Tocantins, Paraíba, Espírito Santo, Maranhão, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Paraná, Piauí, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo.

Divergências prejudicam dados

Outro ponto apresentado, de forma inovadora na pesquisa, foi a invisibilização da violência contra a população LGBTQI+. Nesta edição 2020, a escassez de indicadores de violência contra LGBTQI+20 permaneceu como um problema central. Um primeiro passo no sentido de resolvê-lo seria a inclusão de questões relativas a identidade de gênero e orientação sexual no recenseamento que se aproxima.

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