Política

Vereadora quer banir das lojas alimentos em forma de órgãos sexuais

RIO DE JANEIRO – Se depender do desejo da vereadora Jessicão (PP), a onda das guloseimas eróticas que gerou longas filas em São Paulo e se espalhou por outras cidades brasileiras não chegará a Londrina (PR), a cerca de 400 quilômetros de Curitiba.

Conservadora e líder da organização Direita Paraná Oficial, ela apresentou na última segunda-feira (16) um projeto de lei para proibir a venda desses produtos em bares, restaurantes, lanchonetes, trailers e similares no município.

“Trata-se de um segmento comercial danoso que fere a moral, constrange a família, as crianças e adolescentes ao expor a algo vexatório”, diz a justificativa do projeto, que prevê punições como advertência, suspensão das atividades, multa diária de até R$ 500 e até perda do alvará.

“O objetivo da presente proposição é proteger, sobretudo, nossas crianças e nossos adolescentes”, continua o texto. “Não é somente dever da família se atentar à proteção das crianças e dos adolescentes, mas também da sociedade”.

A vereadora disse à Folha que decidiu apresentar o projeto depois de ver um trailer vendendo doces em forma de órgãos sexuais em uma exposição na vizinha Maringá. Afirma ter ficado preocupada com a facilidade de acesso de crianças e adolescentes aos produtos.

“Já é sabido que chocolates em forma de pênis e vagina são vendidos em sex shops. A ideia é que continue sendo restrita a adultos, mas que não fique exposto a crianças e adolescentes. Pode vender no sex shop sem problema algum, mas que não se banalize”, diz ela.

Em São Paulo, ficaram famosos no início do ano os crepes da Assanhadxs, loja que fica no Calçadão Urbanoide, espécie de reunião de food trucks no Baixo Augusta. A elevada procura gerava filas de mais de uma hora pelos produtos, batizados de Crepipi e Crepepeka.

Jessicão diz que não há ainda lojas vendendo produtos semelhantes em Londrina. “A ideia é proibir a​ntes de chegar”, diz ela, alegando que a venda de alimentos em formato de órgãos sexuais em áreas públicas abre “porta perigosíssimas, principalmente para doentes e pedófilos”.

Para entrar em vigor, o projeto ainda precisa passar comissões da Câmara dos Vereadores, ser aprovado em votações no plenário em dois turnos e ser sancionado pelo prefeito do município.

Nas redes sociais, a proposta foi alvo de brincadeiras.

A vereadora diz que já ouviu brincadeiras parecidas. “Algumas pessoas vieram brincar dizendo que vai proibir a venda de salsicha, de cenoura… Claro que não”, contesta ela, que se autointitula “Jessicão, a opressora” e é crítica também do uso de linguagem neutra.

“A linguagem neutra desconstrói a identidade do indivíduo, é mais uma manobra coordenada pela esquerda, utilizada como uma chave para abrir portas à ideologia de gênero”, escreveu ela no início do mês, comemorando aprovação, em primeira discussão, de seu projeto proibir o uso na cidade.

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