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Vandalismo e falta de lixeiras públicas em Manaus reflete em lixo jogado pelas ruas da cidade

Um levantamento feito pelo G1 durante um mês, em ruas de Manaus, constatou a escassez e vandalismo em lixeiras públicas da capital. De acordo com a Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Públicos (Semulsp), houve uma determinação vindo da Prefeitura e a encomenda de dez mil lixeiras para serem instaladas em Manaus. Dessas, apenas 500 foram colocadas nos últimos meses, no entanto, muitas já foram alvos de vandalismo.

Desde o dia 19 de julho, o G1 percorreu áreas da capital e constatou o descarte irregular de lixo em via pública. Na Avenida das Torres, próximo a um semáforo, local onde ambulantes costumam vender produtos, há bastante lixo espalhado. Veja imagem abaixo:

Lixo descartado na Avenida das Torres, em Manaus. — Foto: Eliana Nascimento/G1 AM

Lixo descartado na Avenida das Torres, em Manaus. — Foto: Eliana Nascimento/G1 AM

Durante um percurso da reportagem que saiu do bairro Aleixo em direção ao bairro Cidade Nova, apenas quatro lixeiras públicas foram constatadas na Zona Centro-Sul. A distância de um bairro para outro é de 6 KM. A grande maioria encontrada é apenas lixeira particular (de casas ou empresas).

Outro fator que chamou atenção nesse trajeto, foi o descarte irregular de lixo na rua. Confira:

Descarte irregular de lixo na Zona Centro-sul de Manaus. — Foto: Eliana Nascimento/G1 AM

Descarte irregular de lixo na Zona Centro-sul de Manaus. — Foto: Eliana Nascimento/G1 AM

Segundo o secretário da Semulsp, Paulo Farias, o ideal é que haja uma distância de 100 metros entre uma lixeira e outra, como acontece no Dom Pedro, na Zona Oeste. Em cada parada de ônibus há uma unidade de lixeira. Ou, em um determinado trecho, quem caminha pela via também encontra lixeiras a cada 50 metros, na avenida principal.

“No Dom Pedro, não colocamos excesso de lixeira para não sobrecarregar as calçadas com objetos. Elas estão concentradas em paradas de ônibus e quando não tem, existe uma distância de, pelo menos 100 metros entre duas lixeiras, o que é uma distância razoável para que cada um percorra ou também para que não coloque sempre objetos nas calçadas. As calçadas já são muito ocupadas por postes, lixeiras, sinalização, enfim”, afirmou.

De acordo com o secretário, a prefeitura determinou, com data não informada, que o órgão avance em relação à esse assunto (lixeiras públicas). “A prefeitura já encomendou dez mil lixeiras de ruas, das quais, 500 já foram colocadas [isso são novas, não incluem aquelas que já existiam]”, explicou.

A Semulsp informou que um mapeamento é atualizado constantemente para monitorar a disponibilização de lixeiras públicas instaladas em Manaus. O G1 questionou a quantidade atual, mas não obteve resposta.

Em outro percurso, pela Zona Leste da cidade, a reportagem teve dificuldade para encontrar lixeiras em via pública. No bairro São José por exemplo, as unidades que foram encontradas estavam danificadas.

“Sobre algumas ruas da zona Leste, o que ocorre é o seguinte: no mundo inteiro, isso não é somente em Manaus, só se coloca lixeiras em vias de logradouros que dispõe varrição pública. Pois não adianta ter lixeira se não têm o serviço de esvaziamento e troca de saco. Quem faz isso é o serviço de varrição apenas em avenidas e os principais logradouros. Por isso, não se encontra lixeiras em ruas secundárias”, explicou o secretário.

Mesmo com lixeira foi possível constatar lixo na Orla da Ponta Negra, em Manaus. — Foto: Eliana Nascimento/G1 AM

Mesmo com lixeira foi possível constatar lixo na Orla da Ponta Negra, em Manaus. — Foto: Eliana Nascimento/G1 AM

Farias contou também que “não faz sentido ter lixeiras em todos os locais, em todas as ruas”. Segundo ele, qualquer embalagem que uma pessoa descarte na rua, ela já carregou essa embalagem por um algum tempo e pode guardar consigo, até que se ache um depósito.

“Por exemplo, uma embalagem de cigarro, a pessoa quando fuma algum cigarro, vai jogar fora a embalagem, ela já carregou aquela embalagem talvez por um ou dois dias. Então, da mesma forma que a pessoa carrega uma embalagem, ela pode carregar esse resíduo por mais algum tempo até encontrar uma lixeira mais próxima. Não há nenhuma justificativa para que uma pessoa tenha que, imediatamente, após consumo do restante da embalagem, jogar aquilo no primeiro lugar que convém”, contou.

Durante a entrevista, o secretário citou um exemplo de Tóquio. Segundo ele, lá não possui lixeiras em ruas e a cidade é muito limpa. No entanto, afirmou que a “questão em Manaus ainda não é essa, mas tem que haver um diálogo com a população sobre o que é uma lixeira e para o que ela serve”. Farias contou que existem regras de uso e, também, de colocação.

“É importante que haja zelo da população com as lixeiras”

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