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Teatro é inovação: Projeto Roque Severino promove Oficina de Criação Teatral e Telepresença

O próximo dia 04 inaugurará uma das primeiras oficinas de criação teatral em telepresença. Processo inovador vivenciado pela equipe do Núcleo de Arte e Comunidade da UEA, na montagem do projeto “Roque Severino: todo dia morre gente que nem vivia”, que foi aprovado pelo Edital Edital nº 002/2020, concurso Prêmio Manaus de Conexões Culturais – Lei Aldir Blanc.

A oficina de criação teatral e telepresença é o espaço onde vamos poder compartilhar, repassar essa experiência acumulada nesses dez anos de transmissão de espetáculos teatrais, circenses e performances teatrais, pela internet. Os objetivos da oficina são não só passar a parte conceitual teórica sobre o que a gente já havia pesquisado como referência de artistas e grupos, mas principalmente, expor quais são as possibilidades de plataformas de transmissões ao vivo e quais são as características dessas plataformas, para que o criador cênico possa entender a que melhor cabe aos seus objetivos.
“Este é tema o central da oficina, mas também queremos compartilhar nossas experiências, o que a gente já montou o que a gente já conseguiu fazer, para que possa inspirar outros artistas”, diz o ministrante da oficina e diretor cênico do espetáculo “Roque Severino: todo dia morre gente que nem vivia”, Guilherme Carvalho.
“Muito antes de se ouvir falar em home streaming pelas lives gratuitas, nós já pagávamos empresas para fazermos as transmissões pela internet. E a internet ainda era muito lenta, em outro formato, da pré-história do stream, e a gente já tinha contato. Sempre fomos pesquisadores, criei plataforma pra compilar esse material, que é o portal MeVer www.mever.com.br, canal youtube, para onde convergem as compilações do facebook, instagram e youtube e para onde convergem também pesquisas de mestrado/doutorado, feitas pela Universidade de Brasília (UNB) e um livro do Ensino à Distância (EAD) – um módulo repassando a parte teórica, e um vídeo prático de como interpretar para a câmera fixa, sem manipulação de ninguém.
Para ele, que é de Brasília e integrou a equipe do projeto a convite do Núcleo de Arte & Comunidade da UEA, “este é o momento de repassar estes conhecimentos e criar intercâmbio entre grupos e artistas com interesse na mesma área, ou que já tenham um pouco de experiência ou que tenham vontade de ter experiências”, afirma o diretor.
A oficina é aberta ao público em geral, em especial para as pessoas que já tenham interesse pelas linguagens cênicas, linguagem teatral, e que tenham interesse em experimentar e investigar novas possibilidades de se trabalhar com as artes em contexto web. A partir da interação que possibilita a ampliação dos espaços geográficos nos quais estamos inseridos, e a construção de obras que integralizem pessoas e espaços geográficos, sempre estabelecendo a perspectiva de prevenção e potencialização, neste momento de enfrentamento da crise da pandemia do SARS-CoV-2 (Covid-19), através deste apoio emergencial da Prefeitura de Manaus, ManausCult, e Conselho Municipal de Cultura.
Para a ministrante da oficina e coordenadora do projeto, Amanda Ayres, o foco da oficina será a ampliação da visibilidade sobre as possibilidades de se trabalhar como atores e atrizes telepresentes. “A oficina trata do saber-fazer teatral, de tradição e modernidade, visualizando os campos do fazer artístico hoje.
“É importante para atores e criadores teatrais sensibilizarem-se quanto ao momento atual, a percepção do que é possível no campo do saber-fazer sob a perspectiva da telepresença, que fisicamente não seria possível e vice-versa, compreender também o que é possível fazer presencialmente no teatro tradicional de arena ou palco italiano, que não é possível fazer telepresencialmente. “Entendendo que não há necessariamente disputa entre esses campos do fazer atístico”, diz Amanda Ayres.
A oficina de criação teatral e telepresença é parte da execução do projeto “Roque Severino: todo dia morre gente que nem vivia” e tem a finalidade de multiplicar, através de oficinas de formação, os processos e procedimentos de criação teatral pesquisados e desenvolvidos neste projeto, juntamente às escolas da rede municipal e estadual, comunidades locais, bem como juntamente aos centros de formação artístico e companhias no Amazonas, e, finalmente, difundir o teatro realizado no Amazonas ao palco mundial que as redes digitais oferecem e possibilitam.

Novos paradigmas e desafios

O projeto Roque Severino se justifica em oito pontos fundamentais que permitem mostrar como a cena contemporânea está continuamente sendo transformada por novos paradigmas e desafios. Estes desafios evidenciam como a fronteira da linguagem se rompe, tensionando conceitos como erudito e popular, teoria e prática, clássico e contemporâneo, deixando sua dicotomia para construir novos referentes.
Assim o projeto Roque Severino encontrou maneiras de dar sequência ao projeto empreendido por Gomes, numa abordagem atual e proximal, pesquisando as relações técnicas e estéticas da transmissão de teatro por plataformas virtuais; problematizando a interpretação teatral para as telas de telefones, tablets e computadores, oferecendo contribuições no campo prático e teórico que possibilitem a arte teatral mesmo com as restrições e condições impostas pelo momento pandêmico.
“É importante destacar que o projeto Roque Severino entende a arte como um motor de giro social e transformação ambiental, permitindo empoderar os artistas criadores e multiplicar os procedimentos teatrais com o mínimo de recursos”, afirma Amanda Ayres. Prevê como ponto fundamental capacitar os espectadores através de rodas de conversa e oficinas de formação, nas linguagens teatrais presentes na construção da obra como treinamento do ator, elaboração de cenários e figurinos, produção executiva, intermediação das ações mediáticas, criação das formas animadas e criação de trilha sonora.
“A produção de vídeos, das apresentações, rodas de conversa e oficinas formativas que serão realizadas no estado e município, servem de suporte que permitem a documentação e difusão do trabalho prático e teórico desenvolvido pelo coletivo”, afirma Amanda Ayres e acrescenta:
“A oficina de criação teatral e telepresença surge pelo desejo de democratizar o acesso ao fazer da produção artística, neste processo de isolamento, porque a gente compreende que é muito importante trabalhar com a formação de coletivos e compreender maneiras de compreender processos coletivos, mantendo todas as formas de prevenção e cuidado com a saúde física e mental, e ao mesmo tempo descobrindo maneiras de continuar produzindo arte”.
Guilherme carvalho ressalta que o “Roque Severino: todo dia morre gente que nem vivia” é um espetáculo 100% transmitido ao vivo e que possui como premissa ser o resultado desses anos de experiência. “É também um lugar onde foram formados muitos alunos juntos, 19 pessoas das quais muitas não haviam tido contato e oportunidade de apresentar nada ao vivo na internet”.
Para ele, a internet ao vivo tem muitas características próximas do boneco e do palhaço, por conta da dialogicidade em tempo real. E esses universos da cultura popular sempre contaram com a dramaturgia mais aberta, com o diálogo com o público. “todos esses alunos tiveram agora, nessa primeira montagem, como fruto de um projeto transdisciplinar do semestre do curso de teatro da UEA, a oportunidade de se colocar num ranking de produção cibernético”.
Sobre a trajetória dos ministrantes

Guilherme Carvalho é diretor, ator, bonequeiro e palhaço especialista em criação cênica pela internet e idealizador do portal MeVer: acervo, pesquisa, formação e criações. Trabalha com transmissões pela internet há mais de 10 anos. Começou interagindo com a linguagem áudio visual e o teatro de bonecos, o teatro de atores, e depois, fez uma transição para a cultura popular, trabalhando com a palhaçaria. Ele afirma que isso o preparou para estar mais próximo da interação do chat, com o internauta, da interação de colocar alguma pessoa ao vivo apresentando. Um exemplo vivo do seu trabalho é o “Pepino” que é o seu palhaço, em trabalhos como “Pra subir na vida” ou “Pepino ao vivo” que são os trabalhos que faz pela internet. Neles, o público interage diretamente. Isso foi o que sempre o instigou, a pesquisa de dramaturgias, de contar narrativas, de formas cênicas, usando essas linguagens teatrais e circenses. Neste ponto, faz o elo entre a cultura popular e a tecnologia.

Amanda Ayres é atriz, teatróloga, professora da UEA. É parceira de Guilherme Carvalho há mais de anos na pesquisa em potencialidades da telepresença, em processos composicionais e no portal MeVer. Em 2011, apresentaram o espetáculo “O banquete”, como resultado das disciplinas Teatro e Tecnologia, ofertadas por eles no curso de Teatro a Distância da UNB, em diálogo com o curso de extensão Processo Criativo e Atuação em Telepresença. Naquele contexto, interessava para eles descobrir como trabalhar a prática teatral na perspectiva da educação mediada pelas tecnologias. Segundo Amanda, a parceria, neste projeto surge como possibilidade de ampliação do escopo da UEA quanto às possibilidades de criação, neste momento. “Ao longo do semestre, desenvolvemos um processo bastante ousado que possibilitou que integralizássemos a floresta amazônica e as discussões em pauta, no momento com Brasília, e esse coletivo se ampliou, integralizamos com Rio Grande do Sul (RS), São Paulo (SP), Portugal, criando um grande coletivo de resistência e resiliência com objetivos comuns de formar coletivos e de produzir artisticamente, trazendo reflexões profundas, poéticas e sensíveis”, diz a coordenadora do projeto Roque Severino: todo dia morre gente que nem vivia.

Inscrições
Os interessados poderão se inscrever no site do portal MeVer www.mever.com.br.

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