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Superintendente da Polícia Federal no AM destaca que Wilson Lima dá a palavra final em compras

Manaus – Alexandre Saraiva, superintendente da Polícia Federal (PF) no Amazonas, disse em entrevista, na tarde desta terça-feira (30), que quem dá a palavra final em qualquer compra realizada pelo Governo do Estado do Amazonas é o Governador Wilson Lima, um dos alvos da operação “Sangria”, deflagrada na manhã desta terça, que cumpriu 20 mandados de busca e apreensão e oito de prisão. Wilson teve alguns pertences pessoais apreendidos quando estava em um hotel na capital Federal, Brasília.

(Foto: Laurismar Sampaio)

A Operação Sangria investiga fraudes e superfaturamento em contrato de fornecimento de ventiladores mecânicos hospitalares por empresa que comercializa vinhos. Foram presos Fábio José Gomes Passos, sócio proprietário da empresa FJAP, que vendeu os ventiladores ao estado por quase 3 milhões e lucrou cerca de 500 mil reais; Luciane Zuffo Vargas de Andrade e Renata de Cássia Dias Mansur Silva, sócias da empresa Sonoar, que fez a venda dos respiradores a FJAP e lucrou cerca de 1 milhão e meio de reais. O empresário Cristiano da Silva Cordeiro, que emprestou cerca de 2 milhões e meio ao proprietário da loja de vinhos para ele comprar os respiradores da empresa Sonoar.

Da Secretaria de Saúde do Estado (Susam) foram presos, Simone Araújo de Oliveira Papaiz, atual secretária de saúde; João Paulo Marques dos Santos, ex-secretário executivo de saúde que, em depoimento na CPI da Saúde, confirmou que autorizou a compra dos respiradores no dia 8 de abril; Alcineide Figueiredo Pinheiro, ex-gerente de compras da secretaria de saúde, apontada como a pessoa que negociou com Fábio Passos, da FJAP, a compra de equipamentos hospitalares;  e Perseverando da Trindade Garcia Filho, ex-secretário executivo adjunto de saúde, ordenador de despesas da Susam, apontado com o responsável pelo pagamento de quase 3 milhões de reais, em tempo recorde, apenas um dia após a autorização da compra.

“É uma coisa tão grosseira, que pode até parecer estranho, mas não há muito que se falar. O equipamento está superfaturado, começa por aí, o preço está muito acima do mercado. O equipamento não serve para o que era destinado. Foi adquirido por uma empresa que não comercializa esse tipo de equipamento. Então salta aos olhos que alguma coisa tá errada. Aí se depara com uma remessa de recursos para o exterior. Precisamos avaliar a participação de todos os investigados. Essa operação não encerrou. Foi executada apenas uma fase. Vamos aguardar para saber o que vai ser encontrado e apurado desse material”, disse o superintendente da PF.

O superintendente da polícia federal disse que quem ordena toda compra no governo e quem dá a palavra final é o governador Wilson Lima, um dos alvos da operação. “Uma aquisição do serviço público, ela tem um procedimento ou está na lei de licitações. Há um ordenador de despesas. Quem assina o cheque, que autoriza o pagamento, é o ordenador de despesas, que nesse caso é o governador. O ordenador final no executivo, só é pago se o governador autorizar”, destacou Alexandre Saraiva.

Os oito presos vão ser transferidos a presídios da cidade de Manaus e vão ficar a disposição da Justiça. A compra irregular deixou indignado o superintendente da polícia federal no Amazonas. “As pessoas deixam de ter acesso a saúde pública. No caso de uma pandemia, deixa de ser só importante, passa a ser urgente. Manaus, o epicentro da pandemia na região norte, tivemos mais de 100 pessoas por dia sepultadas. É uma situação gravíssima e de uma insensibilidade que eu nunca vi. No meio de uma catástrofe, no meio de uma guerra, com as pessoas morrendo, e alguém se presta a utilizar aquele recurso. Não sei como essas pessoas conseguem dormir”, finalizou o superintendente da PF.

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