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SSP tem R$ 10 milhões em dívidas com fornecedora de munição e sistema pode colapsar

Manaus – O desfalque de munições e armamentos é notório nas unidades policiais de Manaus. Segundo o tenente-coronel da reserva da Polícia Militar Ubirajara Rosses, o sistema está caótico e precisa de intervenção urgente. O órgão responsável por comprar e abastecer é a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), que atualmente possui uma dívida em torno de R$ 10 milhões com a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), que fornece as munição para todo o país. Na semana passada, o governo do Amazonas solicitou ao Comando Militar do Amazonas (CMA) cerca de duas mil munições para fuzil que iriam para o confronto em Nova Olinda no Norte.

Monopólio das polícias

De acordo com tenente-coronel Ubirajara Rosses, não há nenhum tipo de abastecimento ou compra de munições para suprir as unidades policiais. “A SSP-AM tem uma dívida milionária com a CBC que fornece as munição para todo o país, em torno de R$ 8 a 10 milhões. Isso, fez com que a CBC parasse de vender munições para o Amazonas e isso vai colapsar o sistema de segurança”, explicou.

Desfalque das Munições

Um levantamento realizado pelo setor de material bélico da PM de São Paulo mostra o desfalque nas aquisições das munições no Amazonas. “Infelizmente o Amazonas foi o único estado que não forneceu os dados das últimas aquisições. Esses dados iriam subsidiá-los para que pudessem iniciar um processo de compras internacionais de munições. Atualmente, apenas uma empresa no Brasil fabrica munição e o preço é abusivo e varia de estado para estado”, explicou Rosse. O preço das munições adquiridas do exterior é bem inferior ao praticado no Brasil e a compra externa iria diminuir o custo aos cofres públicos.

Problemática na formação do policial

O Amazonas possui cerca de 10 mil policiais militares e em média um policial tem a cota de uma caixa de cartucho por mês, ou seja, 50 munições por ano para treinar. “Nossa realidade no Amazonas é que o policial tem o contato com a arma, com o tiro policial, só durante a formação dele como soldado e isso não tem um número certo de tiros que ele tem. Temos curso de formação de soldado que deram 15 ou 6 tiros e é um absurdo termos policiais formados que não deram nenhum tiro, foram colocados na rua sem ter possibilidade de efetuar um disparo sequer”, explicou o tenente-coronel.

Preparo técnico para as ruas

A falta de disponibilização de munições para os policias afeta no preparo para o trabalho em campo, nas ruas da cidade, onde protegem a população, de acordo com tenente-coronel Ubirajara Rosses. “O preparo técnico, profissional e operacional é zero daquele policial que tá na rua com a arma na cintura sem nunca ter desferido um tiro. Isso é uma realidade, não é uma suposição, não temos setor bélico na PM e já fomos chacota em relação a isso e sofremos nacionalmente com reportagens falando que nosso arsenal técnico é tratado no estado que muita das vezes vão parar nas mãos dos traficantes. Sumiços de armas e munição da PM que foram parar na mão de traficantes”, explicou.

*Apresentador do programa AMAZONAS DIÁRIO

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