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Profissionais de saúde são afastados de hospital em Manaus após realizarem protesto por falta de EPIs

Um grupo de 13 profissionais de saúde, entre enfermeiros e técnicos em enfermagem, foi afastado do Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, nessa terça-feira (28). A lista de profissionais afastados inclui nomes que participaram de uma manifestação, na última segunda-feira (27), para denunciar falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) na unidade, entre outras cobranças. A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou ao G1 que eles foram “disponibilizados para atuar em outras unidades”.

O Hospital 28 de Agosto está entre as unidades de emergência de Manaus que recebe pacientes com suspeita e confirmação de Covid-19. No protesto de segunda-feira, os profissionais denunciaram, ainda, a sobrecarga de trabalho e cobraram auxílio insalubridade e melhorias na alimentação.

A enfermeira Tatiane Souza, que participou do protesto para denunciar as condições de trabalho, contou ao G1 que parte dos profissionais afastados participaram da manifestação e outros estavam de licença, mas apoiavam a realização do protesto.

“Nós fizemos a manifestação e vamos fazer quantas forem preciso, porque o nosso objetivo maior é dar condições de trabalho para todo mundo da equipe, e dar uma assistência de qualidade para o paciente. Nós é que estamos lá e somos a família dos pacientes nesse momento”, disse a enfermeira.

Antes do protesto, de acordo com a enfermeira, cerca de 25% dos funcionários da unidade estavam de licença por suspeita e confirmação do novo coronavírus. O pedido de EPIs, segundo ela, se deu pela necessidade de que todos os profissionais tenham o equipamento necessário.

De acordo com o Governo do Estado, mais de 400 profissionais de saúde já foram infectados com a doença, e, até a última sexta-feira (24), dez mortes foram confirmadas. O Amazonas tem mais de 4,8 mil casos confirmados de coronavírus, e o número de mortes já ultrapassa 350.

“Tem pessoas que estão trabalhando na linha de frente que são do grupo de risco. Nós temos cuidado com os pacientes, por que não têm também com os profissionais de saúde? Não teve, em nenhum momento eles conversaram conosco. Não deram nenhum motivo”, disse Tatiane.

Tatiane declarou, também, que o grupo de enfermeiros e técnicos em enfermagem notificados para o afastamento deve comparecer ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, nesta quinta-feira (30), para pegarem documentos e irem até a Secretaria de Estado da Saúde (Susam).

O que diz o Governo

Por meio de nota, a Susam informou que não demitiu ou exonerou profissionais de saúde do HPS 28 de Agosto. Segundo o órgão, eles devem ser encaminhados para atuarem em outras unidades de saúde.

“Eles foram disponibilizados para a secretária para atuar temporariamente em outras unidades da rede, enquanto se concluía o processo seletivo para a contratação de técnicos de enfermagem e a apresentação de aprovados do concurso dos Bombeiros”, informou a Susam.

Ainda conforme a Susam, com a convocação e apresentação de técnicose enfermeiros bombeiros, que atenderam a demanda, os profissionais devem retornar para a unidade de origem.

Falta de profissionais de saúde no AM

No Amazonas, além dos crescentes números da Covid-19, superlotação nos hospitais e falta de leitos de UTIs, o sistema carece, ainda, de profissionais de saúde. A secretária de saúde do Amazonas, Simone Papaiz, disse que a maior dificuldade em aumentar o número de leitos ativos “é a contratação de recursos humanos em totalidade”.

Mais 13 profissionais da saúde enviados pelo Ministério da Saúde chegaram a Manaus, nesta quinta-feira (23), para reforçar o combate ao novo coronavírus no estado. O grupo é formado por quatro médicos, dois fisioterapeutas e sete enfermeiros.

Os profissionais devem atuar no Hospital Delphina Aziz, referência no tratamento da doença na capital, que chegou a atingir a capacidade máxima operacional e ficou sem condição de ativar novos leitos por falta de profissionais. No dia 16 deste mês, o Estado já havia recebido os primeiros 17 médicos e enfermeiros, dos quais quatro continuam atuando em Manaus.

Também como medida para atender a rede de saúde, universidades em Manaus anteciparam colações de grau de estudantes de medicina. Com isso, os recém-formados passaram a atuaram na reforçar no atendimento nas unidades hospitalares. Na Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o formando, ao aderir à antecipação, assume o compromisso de atuar na rede pública de saúde por 180 dias.

Contêineres frigoríficos foram instalados em unidades hospitalares de Manaus para comportar corpos, por conta do aumento de mortes. A medida foi tomada a repercussão de um vídeo que mostra corpos com suspeita de Covid-19 posicionados ao lado de pacientes internados no Hospital João Lúcio.

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