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Profissionais de saúde do ‘Brasil conta comigo’ chegam a Manaus, mas aguardam liberação para atuar em hospitais

Profissionais da saúde do programa “Brasil Conta Comigo”, do Governo Federal, enviados à cidade de Manaus para subir a falta de profissionais no atendimento de pacientes com a Covid-19 aguardam liberação para o início das atividades. O Ministério da Saúde afirma dos 388 profissionais que estão no estado, 303 foram liberados para campo e 85 estão finalizando processo de treinamento e registro.

Em um hotel na capital estão cem médicos e enfermeiros do programa. A Rede Amazônica apurou que muitos deles estão há mais de 10 dias na cidade, mas não entraram em um hospital.

Um enfermeiro, que preferiu não se identificar, disse que aguarda trâmites burocráticos para iniciar as atividades.

“O que disseram para gente é que, como a gente vai receber remuneração, precisa sair nosso nome no Diário Oficial da União. Pediram para que a gente assine contrato temporário para que as coisas tenham clareza e para que a gente tenha os mesmos direitos que os servidores públicos normais têm em trabalhar, por exemplo, dentro dos hospitais”.

Ele lamentou a situação: “Eu vim para cá trabalhar, para ajudar as pessoas. Eu estou no hotel parado, sem poder fazer nada porque o trâmite legal está, sabe, retardando a nossa entrada no hospital”, disse.

Os profissionais chegaram no dia 4. A capital amazonense é a primeira cidade do estado a ter integrantes do programa. O objetivo é que esses profissionais contribuam na abertura de novos leitos, tanto dos hospitais de campanha quanto dos leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

Em visita a Manaus, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, general Eduardo Pazuello, que participou de evento em Manaus neste domingo acompanhado do ministro Nelson Teich, disse novas contratações poderão ser feitas.

De acordo com o Ministério da Saúde, dos profissionais que estão em hotel, 67 são de outros estados e o restante optou por não expor seus familiares à COVID-19 enquanto estiverem na linha de frente de combate à doença.

Em nota, o órgão explica que os profissionais passam por uma preparação que visa garantir a segurança deles, dos pacientes e dos serviços prestados. A capacitação inclui aulas de simulação realística para atuação em UTIs e uso adequado de EPIs. O ministério diz ainda que oferece palestras sobre cuidados com a saúde mental e suporte psiquiátrico durante todo o período de trabalho, além de realizarem testes para COVID-19.

O” Ministério da Saúde entende que toda essa preparação é necessária antes de os profissionais começarem a atuar, de acordo com as escalas das Secretarias de Saúde do Estado e Município (Manaus) quanto à locação nos seus respectivos postos de trabalho”, diz outro trecho da nota.

Sistema de saúde superlotado

Desde o registro do primeiro caso da doença em 13 de março, os números de contaminados crescem a cada dia. Já são mais de 15 mil em todo o estado. A alto demanda de pacientes com suspeitas da Covid-19, junto a pessoas com outras enfermidades, causou um inchaço no sistema de saúde.

De acordo com a Secretária de Saúde, atualmente a taxa de ocupação dos leitos de UTI é de 86%, mas o o índice já chegou a alcançar 96% em abril.

O número de mortes também segue crescendo. Já são mais de 1 mil.

A implantação de contêineres frigoríficos foi uma medida adotada para comportar os corpos de vítimas de Covid-19 em hospitais de Manaus, após a repercussão de um vídeo que mostra corpos posicionados ao lado de pacientes internados no Hospital João Lúcio, na Zona Leste de Manaus.

O número de mortes afeta o sistema funerário de Manaus. O feriado de sexta-feira (1º), por exemplo, registrou 151 sepultamentos nos cemitérios públicos e privados. Segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana, entre as causas de morte, 12 pessoas tiveram no atestado a confirmação para Covid-19.

Como medida para atender a demanda, a Prefeitura passou a enterrar vítimas de Covid-19 em valas comuns, chamadas pelo órgão de trincheiras. O empilhamento de caixões também chegou a ser adotado no Cemitério de Aparecida – o maior de Manaus, mas foi cancelado depois de protesto de familiares. O local também passou a contar com câmeras frigoríficas para comportar caixões.

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