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Profissionais da saúde são vacinadas contra Covid-19 em Manaus

Cerca de 20 mil pessoas começam a receber a primeira dose da vacina na capital. O estado vive um colapso na saúde, causado pela lotação nos hospitais e aumento de mortes.

Profissionais da saúde receberam as primeiras doses da vacina contra Covid-19 em Manaus, na manhã desta terça-feira (19). O imunizante foi aplicado durante uma cerimônia com o prefeito David Almeida e a secretária da Saúde, Shádia Fraxe, entre outros.

Cerca de 20 mil pessoas começam a receber o imunizante por equipes que visitarão as unidades de saúde da rede pública para aplicar a dose inicial. Na primeira fase, serão vacinados apenas os grupos prioritários: profissionais de saúde que atuam na linha de frente no atendimento à população, idosos que vivem em casas de longa permanênia, como asilos, e os povos indígenas aldeados.

O prefeito David Almeida afirmou que considera pequena a quantidade de doses destinadas a cidade. “Não é hora de estar brigando, de estar cobrando. Achava que seria na proporcionalidade, 70% dos profissionais da saúde estão em Manaus, por isso não entendemos essa divisão. Nos programamos para mais, mas vamos nos adequar à nossa realidade, ao que temos agora”, afirmou o prefeito, ao completar que espera que a cidade receba mais doses nas próximas remessas.

Com a quantidade recebida, a meta é vacinar 34% dos 56.618 trabalhadores da saúde, incluindo os da rede pública e privada, o que corresponde a 19.250 profissionais que atuam na capital, além de 100% dos 386 indígenas aldeados na área rural do município.

Segundo David Almeida, o município tem capacidade para vacinar até 60 mil pessoas por semana.

“Todos nós temos direito a vacina. Não tem rico e não tem pobre, todo mundo tem direito ao SUS”, disse a secretária municipal da Saúde, Shádia Fraxe, comentando que esteve presente na chegada do primeiro lote de vacinas no estado, na noite de segunda-feira (18). “Essa emoção eu vou guardar pelo resto da vida, no meu pensamento e na minha emoção. É um marco histórico”, disse.

“Lamento profundamente todas as perdas. Lamento essas pessoas não terem conseguido esperar essa vacina que chegou ontem [segunda-feira]. Tenho amigos que foram embora ontem, pouco tempo antes dessa vacina chegar. Que essa vacina seja o início do fim de todo o sofrimento da população brasileira e do mundo”, disse a secretária.

A secretária da Saúde reforçou a necessidade de manter os cuidados, apesar da vacinação. “A primeira dose da vacina não nos garante imunidade. Não relaxe. Nós precisamos de uma segunda dose e mais 40 dias para fazermos a soro-conversão, para adquirir a imunidade. Deixo o recado para que se mantenha o distanciamento social”, afirmou.

Shádia também falou sobre como será feita a vacinação dos grupos prioritários desta primeira fase. Segundo ela, apesar da pouca quantidade de imunizantes, todos deverão ser atendidos proporcionalmente. “É fato que nós temos 40 mil doses, que na verdade são 20 mil, porque cada pessoa precisa de duas [doses]. Mas não serão as 20 mil apenas para os profissionais de saúde. Tudo será feito proporcionalidade e é esse desenho que nós vamos fazer agora”.

A prefeitura informou que o cronograma de aplicação das doses em Manaus nas demais fases da campanha só será elaborado após o envio de novas remessas de vacina. Os locais de vacinação também só serão confirmados pela prefeitura após o fechamento do cronograma.

Para a vacinação na capital, a Prefeitura de Manaus providenciou 1,5 milhão de seringas e já tem em estoque 500 mil unidades, além de quantidade de algodão e EPIs suficientes para a realização de todas as fases da campanha de vacinação contra a Covid-19.

Diferentemente das demais vacinas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o registro da dose aplicada para a Covid-19 será feito de modo nominal e individualizado. Para ser imunizado o usuário terá que se identificar com nome e número de CPF ou do Cartão Nacional de Saúde (CNS) e os dados serão enviados para a base de informações do Ministério da Saúde em até 72 horas. A medida visa garantir o acompanhamento de quem foi vacinado, evitar a duplicidade da vacinação, e viabilizar a identificação e o monitoramento de possíveis reações adversas.

“Com a vacina vamos conseguir ajudar muito mais pessoas”, relata enfermeira vacinada

Uma das primeiras profissionais de saúde a ser vacinada foi a enfermeira do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Leda Sobral, de 55 anos. Ela trabalha no serviço há 15 anos, desde quando o programa começou na capital e disse que, com a imunização, pode ajudar mais pessoas.

“Me sinto grata. Estamos trabalhando diretamente com pacientes suspeitos e portadores confirmados de covid, portanto nossa exposição está sendo muito grande. Mas não podemos deixar de atender ninguém, essa é a nossa profissão. Então essa oportunidade, para nós, é uma forma de maior segurança. Nós acreditamos que a vacina pode nos dar uma defesa maior e com isso, extensivo a todos os profissionais de saúde, favorece a nossa saúde e dessa forma vamos conseguir ajudar muito mais pessoas”, contou.

Leda explicou que soube seria vacinada no início da manhã. Ela está trabalhando nas ambulâncias que fazem o traslado de pacientes com Covid para o Aeroporto de Ponta Pelada, de onde são levados para outros estados. Em meio a todo o caos vivido com o crescimento das internações por Covid-19 na capital, ela ressaltou a importância da enfermagem em todo esse cenário.

“Graças a enfermagem a gente consegue melhorar muito a qualidade de vida dos pacientes, junto com os outros profissionais da área da saúde, é claro. […] Eu perdi muitas pessoas próximas, muitos amigos. Mas é uma opção que a gente faz, uma opção um tanto difícil, mas que pode ajudar muitas pessoas”, relatou.

A médica Jhamille Amanda, que trabalha no Centro de Emissão de Declaração de Óbitos (Cedo), montado pela Prefeitura no ano passado, após a alta no número de mortes domiciliares por Covid, também foi uma das primeiras a ser vacinada e ficou emocionada diante da oportunidade. Ela chorou ao receber o imunizante.

“Sou uma pessoa muito sensível. Apesar do meu trabalho, que é de atestar o óbito na casa das pessoas, tem sido um desafio. Trabalho em outro lado da área [da saúde], enquanto alguns trabalham em hospitais, eu trabalho na parte do falecimento, do luto, dando essa assistência. Tem sido muito difícil a cada dia atender mais de 20 ocorrências de pessoas que morreram em casa. A cada dia a gente pede fé, que Deus nos ajude neste momento e hoje a vacina é uma emoção. É um sinal de esperança. Que seja um ano de vitória, apesar das perdas.

Fonte: G1/Amazonas

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