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Nova CPI da ALE amplia investigação na saúde

Manaus – Proposta de criação de nova CPI na Assembleia Legislativa do Estado (ALE) gera polêmica entre os deputados estaduais Amazonas. Na terça-feira (6), o deputado Delegado Péricles (PSL) apresentou requerimento para instalação da CPI da Asfixia, com a proposta de limitar a apuração a falta de oxigênio na rede de saúde em janeiro deste ano.

A proposta chama atenção porque foi apresentada no mesmo momento em a instalação da CPI da Pandemia, que pretende apurar todos os contratos do governo do Estado durante a Pandemia depende de apenas um assinatura para sair do papel. A nova proposta de CPI conta com três assinaturas até o momento.

Para deputados estaduais de oposição, a nova proposta de CPI é vista como uma manobra do governo do Estado para evitar a investigação em demais contratos do governo Wilson Lima.

Sede da Assembleia Legislativa do Amazonas (Foto: Arquivo GDC)

Wilker Barreto (Podemos) criticou a nova comissão solicitada pelo deputado Delegado Péricles, uma vez que o objeto apenas investiga os atos do Governo na crise do oxigênio durante a segunda onda da Covid no Amazonas. O líder da oposição afirmou que só assinará o pedido se a CPI investigar todos os contratos e despesas feitos pelo Executivo estadual entre março de 2020 até o fim da comissão.

Barreto não concordou com o objeto da propositura e solicitou a ampliação da mesma. “Esta CPI do Péricles só vai investigar aquilo que o Brasil e o Amazonas já sabem, a CPI do Senado já está apurando a crise do oxigênio e vosso pedido não adentra um contrato, não propõe apurar uma moeda para onde foi o dinheiro do contribuinte. Só assinarei esta CPI se o fato determinado incluir os contratos feitos tanto na primeira quanto na segunda onda da Covid”, afirmou o deputado.

Dermilson Chagas (Podemos) também defende a ampliação da CPI da Asfixia, porque, ao concentrar como foco da investigação apenas um item, exclui as demais irregularidades que vem acontecendo, recorrentemente, no Governo do Amazonas desde que iniciou o período da pandemia, tais como contrato com o hospital da Nilton Lins, quando o hospital Delphina Aziz tinha três andares com leitos totalmente desocupados, entre outros contratos com claros indícios de corrupção.

“Foi uma manobra do Governo do Amazonas. Infelizmente, estava tudo certo para a assinatura que faltava, mas, para justificar que os colegas tinham de assinar uma CPI, eles apresentaram outra para não ser aprovada a CPI da Pandemia. Foi mais uma manobra da base do Governo do Estado, mostrando que não quer investigar os contratos, a falta de oxigênio, a questão dos hospitais que não ampliaram os leitos de UTIs, a omissão administrativa, que é a questão dos contratos. Agora, com essa nova CPI fica claro que não vai haver investigação nenhuma, e nós vamos, simplesmente, ser telespectadores da CPI do Senado, onde nós poderemos descobrir quem é o responsável pelas mortes ocorridas no Amazonas”, afirmou Dermilson Chagas.

Por sua vez, Delegado Péricles defendeu a criação de uma CPI voltada para a crise de oxigênio. De acordo com o parlamentar, a propositura visa investigar de forma mais específica um fato determinado: a falta de oxigênio na rede de saúde do estado em janeiro deste ano, viabilizando de forma efetiva a responsabilização dos culpados pelo caos que resultou em centenas de mortes. Péricles – que também assinou a CPI da Pandemia -defende várias frentes de investigação e afirma trabalhar para evitar impedimentos quanto ao objeto de comissões da Casa.

“Entendo que precisamos ter fato determinado mais específico no momento. Uma CPI precisa de um fato determinado que justifique seus trabalhos e a minha intenção ao propor a CPI da Asfixia é que o fato mais grave do nosso estado este ano seja foco das investigações de uma Comissão. A falta de oxigênio é fato que, inquestionavelmente, precisa ser apurada. Os culpados por tantas mortes decorrentes da falta de oxigênio precisam ser responsabilizados. A população merece isso”, afirmou o deputado, ao explicar motivos de propor nova CPI.

O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) assinou o pedido de instalação da CPI da Asfixia. , “Como todos sabem, PSB e PT têm uma larga tradição de andar em conjunto e tanto o deputado Sinésio Campos (PT) como eu, entendemos que temos a necessidade de instalar a CPI. Todos os fatos relatados até aqui são graves, mas entendemos que existe um fato mais grave, que já vinha sendo discutido, debatido, mas de forma dispersa”, disse Serafim.

Sinésio Campos também de manifestou favorável a nova proposta de CPI. “Queremos uma CPI que trate especificamente da falta de oxigênio, das pessoas que aguardam por respostas e responsabilização dos envolvidos nesse genocídio que, infelizmente, alcança mais de treze mil óbitos, no Amazonas. Analisamos os pontos dessa CPI de maneira criteriosa, até porque não colocaria a minha assinatura apenas para fazer proselitismo político, queremos defender a vida e dar uma resposta para quem sentiu na pele o que é perder um conhecido, um amigo ou um irmão como eu perdi”, argumentou o deputado Sinésio.

Fonte: D24am. Leia mais em https://d24am.com/politica/proposta-de-nova-cpi-no-amazonas-gera-polemica-na-ale/

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