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Lavanderia presta serviço ao Estado e procurador declara: ‘ainda não recebemos nada’

Manaus – O procurador da empresa Norte Serviços Médicos Eireli, Carlos Henrique Alecrim John, afirmou, durante audiência na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, na tarde desta quarta-feira (1º), que não havia controle de entrada e saída de roupas lavadas no Hospital de Campanha Nilton Lins. Ao todo, a empresa lavou 44 toneladas de roupas, desde o dia 18 de abril.

Aos integrantes da CPI, Carlos Henrique disse que está há cinco à frente da empresa. “Eu sou o procurador desde 2015. Tivemos algumas mudanças de sociedade, mas eu tenho a última procuração. Como sou amigo da família, eu tenho a procuração da empresa”.

O deputado estadual Delegado Péricles (PSL) questionou a atuação de Carlos Henrique na empresa, já que a mesma tem uma única proprietária, e ele como procurador. “Eu tenho total aval, posso gerenciar a empresa toda. Ela (proprietária) já é uma pessoa de idade e me deu total poder”, explicou o empresário. “Eu cuido de tudo da empresa: contratos de compra e venda, funcionários, vejo tudo lá; quem chega cedo e quem chega tarde, tudo que tem que ser visto numa empresa”, concluiu Carlos.

Carlos Henrique afirmou que não havia controle de entrada e saída de roupas lavadas no Hospital de Campanha Nilton Lins (Foto: Anamaria Leventi/Divulgação)

O também deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) questionou sobre o faturamento da empresa. Ele quis saber se após a entrada do procurador na lavanderia, a empresa teve aumento no rendimento. Carlos Henrique informou que houve um aumento nos anos de 2018 e 2019. “Podemos considerar que o (atual) momento da empresa é o melhor até agora, certo?”, perguntou o deputado. O procurador respondeu que “sim!”.

Wilker perguntou ainda qual foi o procedimento para conquistar o contrato junto ao hospital de campanha da Nilton Lins. “Nós recebemos um e-mail da Susam (Secretaria de Estado de Saúde) pedindo uma cotação, inclusive esse e-mail chegou em 8 de abril. No outro dia respondemos com os valores, para a responsável Neide”, detalhou. “Recebemos uma ligação da Susam, no dia 10 do mesmo mês, do setor de compras, informando que a nossa empresa foi a vencedora e ficamos no aguardo. Não recebemos contrato e no dia 17 de abril recebemos uma ligação do senhor Silvio Romão, que marcou uma visita técnica ao hospital de campanha”, completou.

Segundo o procurador da lavanderia, no dia 18 de abril a empresa foi informada que iniciaria os serviços no hospital de campanha da Nilton Lins.

O deputado Wilker Barreto lembrou que, dias atrás, a dona da Sonoar falou a mesma coisa que o procurador e que hoje ela está presa. “O que queremos dizer é que não entendemos por que o processo sai de dispensa de licitação para processo indenizatório? E ai o seu depoimento é que vale. Seus advogados estão aqui e não vou questionar isso, porque nós vamos apurar o checklist dessas informações”, garantiu.

O procurador Carlos Henrique informou ainda que não foi beneficiado em nenhum tipo de processo para atender a unidade de saúde. “O que acontece é que estamos lá há quase 3 meses e ainda não recebemos nada”, declarou Carlos. Ainda de acordo com ele, a empresa não tem contrato formal com a Susam. “Como eu disse, não temos tempo fixo de serviço porque nunca recebemos o contrato. Já enviamos solicitação por e-mail e não obtivemos esse contrato. Também fomos à Susam protocolar esse pedido e até hoje não temos o contrato ”, explicou.

Questionado pelo deputado Delegado Péricles sobre os mais de três mil quilos de roupas lavadas do hospital de campanha da Nilton Lins, o procurador informou que era o volume de peças que havia dentro da unidade de saúde. “Nós entramos dia 18 (de abril) e pegamos a rouparia que já existia de dois hospitais lá: do Hospital da Nilton Lins e do Hospital da Unimed. Foi essa roupa que encontramos lá e lavamos”, contou. O deputado ainda questionou se essa roupa foi utilizada pelos profissionais da unidade, o que foi afirmado pelo procurador.

Rebatendo a resposta de Carlos Henrique, deputado Péricles informou que o secretário executivo falou em depoimento na CPI da Saúde que todas as vestimentas utilizadas foram compradas. “Ele informou que toda essa parte hospitalar foi comprada: roupas, lençóis… Tudo novo. Ele falou que não utilizaram nada do que estava lá”, destacou.

Deputado Péricles indagou também sobre o total de roupas lavadas na unidade de saúde desde o dia 18 de abril. “Mesmo que se lavasse essa quantidade inicialmente, não se lavaria todos os dias, porque o que se percebe é que todos os dias é praticamente a mesma quantidade, de 3,500 kg, com o valor total de 44 toneladas. É como se tivesse diariamente funcionando 400 leitos e se lavando (as roupas) todos os dias, então essa conta não fecha”, ressaltou.

Carlos Henrique revelou aos membros da CPI que não havia nenhum tipo de controle de entrada e saída da quantidade de roupas lavadas no Hospital de Campanha Nilton Lins. O procurador da lavandeira revelou que solicitou a suspensão do contrato com o Governo do Amazonas para realizar serviços de lavagens no hospital de campanha do Estado.

Em vídeo enviado à equipe de reportagem do GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC), o presidente da CPI da Saúde, delegado Péricles, fez um resumo sobre o depoimento de Carlos Henrique e os próximos passos da comissão. “Amanhã (quinta-feira, 2) vamos fazer uma visita de inspeção na lavanderia que prestava serviços ao hospital de campanha (do Estado). Além disso, vamos pedir informações da Receita Federal sobre a empresa”, garantiu.

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