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Estudante brasileira recebe diploma universitário com bebê no colo

A estudante mineira Júlia Pontés, 39 anos, mora em Nova York, nos Estados Unidos. Recentemente ela concluiu o curso de mestrado em artes visuais pela Columbia University.

Com a presença de amigos e familiares na cerimônia, a estudante teve uma dupla comemoração: além da formatura, ela subiu ao palco com a filha de nove meses, Stella Lyra, que a acompanhou durante o período acadêmico.

A oportunidade de estudar em uma universidade americana surgiu por incentivo de um amigo. “Eu tinha vontade, mas não tinha recursos financeiros. Então decidi realizar o teste de admissão para a universidade e passei”, lembra. Júlia contou com a ajuda de familiares e amigos, que foram fundamentais para ela conseguir manter a rotina de estudo durante os três anos do mestrado em tempo integral.

Ser mãe e estudante ao mesmo tempo é um desafio e tanto nos Estados Unidos. “As regras das instituições não são elaboradas para a inclusão de mães ou mulheres grávidas. Aqui, por exemplo, não tem fila preferencial para gestantes e idosos.” Para ela, tanto as instituições americanas quanto as brasileiras não estão preparadas para lidar com as mães estudantes.

“Sou muito grata pelo apoio que recebi dos meus colegas de classe e professores, que compensaram essa falta de suporte”, diz. ” Encontrei pessoas que fizeram todo o possível para que eu não parasse de estudar.” 

“Uma coisa que também notei nesse tempo, foi que as mulheres, principalmente aquelas que têm um sentido de maternidade aflorado, possuem mais sensibilidade, capacidade e disponibilidade para dizer sim, no momento de ajudar alguém”, desabafa.

Ela ainda faz um alerta sobre um lema famoso entre os brasileiros: ‘desistir jamais’. “Somos preparados para acreditar que tudo vai dar certo e pouco preparados para as frustrações”, avalia. “Isso nos leva ao extremo da exaustão, principalmente quando estamos sozinhas, sem apoio. Cheguei no meu parto exausta, havia trabalhado até às três da madrugada e duas horas depois entrei em trabalho de parto”, lembra.

Para ela, seu desejo não é que uma mãe precise trabalhar até os 45 do segundo tempo e chegar exausta na maternidade. “É totalmente compreensível uma mãe que queira desistir ou que possa seguir um novo caminho, com novas decisões. É preciso força e resiliência para continuar com os objetivos. Por isso, faça o que tenha sentido para você.”, aconselha.

Com duas cirurgias realizadas de endometriose, a mais rara no diafragma, que necessitou de uma cirurgia torácica, a mineira engravidou para a surpresa dela e dos médicos. “Foi durante um trabalho realizado para National Geographic, da qual eu tinha que documentar o que estava acontecendo nas mineradoras do interior de Minas Gerais, como abusos e evacuações forçadas, que descobri minha gravidez”, lembra.

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