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Entenda o negócio multimilionário envolvendo a MAP, que pode prejudicar os voos no interior do AM

Um negócio de pelo menos uma centena de milhões de dólares, que caiu no colo dos donos da MAP Linhas Aéreas. Essa é a explicação para a atual crise da aviação no Amazonas, com suspensão de voos em várias cidades do interior. Há cerca de 45 dias, a empresa foi vendida à Passaredo, outra pequena operadora regional, que atua no interior de São Paulo. Isso depois que as duas dividiram com a Azul Linhas Aéreas os slots do aeroporto de Congonhas, na capital paulista. Trata-se de autorizações para pousos e decolagens naquele que é um dos mais movimentados terminais do país.

O negócio ainda está sendo avaliado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), mas foi uma oportunidade única para os antigos controladores da MAP. Ele começou a se desenhar quando a Avianca, quarta maior companhia aérea do país, entrou em concordata. Para tentar sair das dificuldades, tentou leiloar seus slots (autorizações de pouso) em Congonhas. A ANAC não permitiu, alegando que a empresa teria perdido o direito pelos sucessivos quebra de compromissos.

Como Gol, Latan e Azul disputavam intensamente estes slots, a ANAC decidiu aumentar a concorrência e incentivar a entrada de novas empresas. Foi aí que a MAP enxergou a oportunidade, candidatou-se a parte destas autorizações e acabou ficando com 12 slots dos 41 que a Avianca detinha em Congonhas. A Passaredo ficou com outros 14 e a Azul com o restante.

Pouco depois dessa distribuição, em agosto último, a MAP e a Passaredo passaram a negociar e acabaram fechando negócio. Os valores não foram revelados, mas certamente alcançaram as centenas de milhões de dólares. O problema é que o foco da empresa paulista, que acabou ficando com 26 slots em Congonhas, será obviamente o rentável mercado em torno do aeroporto da capital paulista, o que deve prejudicar a aviação no interior do Amazonas e do Pará.

Com a aquisição, a Passaredo passa a ter 11 aeronaves ATR 72-500, cinco já operadas da empresa com sede em Ribeirão Preto (SP) e seis da MAP. A empresa paulista já anunciou que três aviões da MAP serão remanejados da região Norte para operar em Congonhas e mais três novas aeronaves devem ser incorporadas até o final do ano, elevando a frota para 14.

Para piorar a situação no Amazonas, a Passaredo já dispensou metade dos funcionários da MAP e suspendeu boa parte das rotas para os municípios. Isso apesar da operação local não significar nenhuma superposição de malha aérea. O negócio pode ser ainda mais lucrativo para a empresa paulista se ela conseguir vender suas operações a alguma gigante brasileira, como a Gol linhas Aéreas, que vem batendo recordes de faturamento depois da falência da Avianca.

Vale ressaltar que o aeroporto de Congonhas é um dos mais importantes do Brasil para o mercado doméstico e crucial para uma operação na ponte-aérea Rio-São Paulo, considerada a joia da aviação brasileira.

A única que pediu slots e não ganhou foi a Two Flex, em razão, segundo a Anac, “das aeronaves operadas pela empresa”.

A própria Azul, que detinha 25% do mercado doméstico em junho e é a terceira maior companhia aérea brasileira, não operava na ponte Rio-São Paulo por considerar que os 26 pares de slots que tinha em Congonhas, antes da saída da Avianca, não eram suficientes para essa rota. A companhia aérea, que tinha a expectativa de conseguir mais slots para justamente começar uma operação rentável na ponte-aérea, divulgou nota afirmando que “a abertura do aeroporto da capital paulista a uma série de novos entrantes aumenta o número de empresas presentes em Congonhas mas não acirra a competição”.

“Operar slots em Congonhas com aeronaves menores e, consequentemente, com poucos assentos, representa um uso ineficiente desses valiosos recursos públicos, impedindo a entrada efetiva de qualquer novo concorrente na ponte aérea Congonhas-Rio e Congonhas-Brasília”, disse a Azul em comunicado.

Em entrevista à revista EXAME, a MAP Linhas Aéreas, que cresceu 6,5% no mercado doméstico em junho com a saída da Avianca (mas continuou tendo 0,1% do mercado), disse que já tinha “contratos de leasing de mais aeronaves prontos para aumentar nossa frota e começar a servir mais destinos na nossa região, como Acre e Maranhão”, segundo o presidente, Héctor Hamada.

A empresa operava no Amazonas, onde fica sua sede, e no Pará. “Mas ir para o Sul é uma grande oportunidade de dar um salto”, afirma Hamada. A MAP transportou 38.088 passageiros no primeiro semestre do ano, tendo 0,1% do mercado doméstico brasileiro e 14 destinos.

Já a Passaredo, que tem sede em Ribeirão Preto, transportou 115.464 passageiros entre janeiro e junho, com 0,3% de participação no mercado, segundo dados da ANAC.

A empresa também tem 14 destinos, e a maior parte de suas operações está no aeroporto Dr. Leite Lopes, em Ribeirão Preto, e no aeroporto Internacional de Guarulhos. A companhia tem parceria com Gol e Latam (o chamado code share) para que as duas companhias aéreas vendam passagens para destinos operados pela Passaredo.

A Passaredo saiu de uma recuperação judicial em 2017, e agora tem chance de crescer ainda mais, depois da aquisição da MAP.

*Com informações das revistas Veja e Exame

Fonte: Blog do Hiel Levy

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