Amazonas Destaques Manaus

Diretor da Beneficente diz que teve proposta ignorada pelo governo do Estado

Manaus – Com proposta ignorada pelo governo do Estado, o diretor do Hospital Beneficente Portuguesa, Vitor Vilhena Gonçalo da Silva, afirmou, na tarde desta quarta-feira (1o), durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde, da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE), que chegou a oferecer à Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam), a estrutura da unidade hospitalar para que fossem montados leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para o tratamento de pacientes com novo coronavírus (Covid-19), mas não obteve resposta.

De acordo com Silva, todo o contato com a Susam foi feito via e-mail. Em uma das mensagens trocadas, a secretaria perguntou a Beneficente possuía leitos de UTIs disponíveis. “Já tinha iniciado a pandemia e informamos, por e-mail, à Susam que tínhamos espaço, estrutura física e profissionais da área à disposição e que poderíamos montar 13 leitos. Só precisávamos de monitores e respiradores para atender os pacientes infectados com Covid-19”, revelou ele.

Questionado se o hospital não tinha estrutura imediata para tratar pacientes com Covid-19, já que tinha a disposição 34 leitos clínicos e dez leitos de UTIs, o presidente informou que realizou duas propostas: sendo uma para ceder a estrutura do hospital e outra para servir de retaguarda.

O diretor do Hospital Beneficente Portuguesa, Vitor Vilhena Gonçalo da Silva (Foto: Reprodução)

“Tínhamos oito leitos em utilização com pacientes não Covid-19. Como que eu iria colocar um paciente com o vírus e contaminar todos? Então, uma das nossas sugestões era de sermos um hospital de retaguarda e oferecer outros serviços, como cirurgias cardíacas. Mas, mesmo assim, nós atendemos pacientes com Covid-19. Nós isolamos uma área da unidade hospitalar, seguindo todas as normas de saúde, e atendemos esses pacientes até a alta”, explicou.

Ainda conforme o diretor do hospital, a unidade de saúde mudou sua estrutura para atender pacientes infectados com Covid-19. “Nós estamos sem contrato com o governo do Amazonas, mas recebemos alguns pacientes do SUS. Na época, chegamos a oferecer contrato para que a gente pudesse atender os pacientes do Hospital 28 de Agosto, João Lúcio e Platão Araújo para fazer esse tratamento diferenciado, do que é paciente Covid-19 e não Covid-19, e evitar assim uma maior contaminação”, detalhou.

Dívida

No início do mês de abril deste ano, o GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) publicou que mesmo com a liberação de R$ 736 milhões para o pagamento de dívidas de antigos governos e o aluguel de R$ 2,6 milhões por um hospital de campanha, o governo do Estado deixou de quitar um débito de R$ 5 milhões com a Beneficente Portuguesa.

A atual gestão do governo deixou de quitar R$ 5 milhões de débitos com o Hospital Beneficente Portuguesa (HBP). Os atrasos dos pagamentos são referentes, principalmente, aos meses dos anos de 2019 e 2020 gestão de Wilson Lima, e também em meses de 2017 e 2018. Na época, o Estado registrava 69 novos casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM).

Depoimento

Para o deputado estadual Wilker Barreto, o depoimento do diretor do hospital mostra o descaso com que a Susam lidou com a pandemia no Amazonas. “Aquelas imagens ainda não saíram da minha cabeça. O que vivemos no Amazonas foi uma das cenas mais horríveis, acredito que do mundo, no que diz  respeito a pandemia. Poucas cidades colapsaram como a nossa e o que eu não entendi, e falo como economista, ainda não entendi, porque o Estado não criou mecanismos de separar o (paciente com) Covid-19 e o não Covid-19”, disse.

Barreto indagou, ainda, como a saúde do Amazonas colapsou tendo o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) e a Beneficente. “Por mais que a Beneficente não tenha ficado direcionada para Covid, mas deveria partir da Susam o seguinte: ‘Tá bom, mas as outras áreas nós vamos redirecionar à população dos SPAs e quem tiver com dor de barriga, gripado ou passando mal, que não se misture com os pacientes com Covid-19’”, pontuou Wilker Barreto.

O deputado Dr. Gomes questionou o diretor da unidade hospitalar, se a Beneficente ainda tinha pacientes em tratamento com Covid-19. Silva respondeu que “atualmente, nós temos pacientes particulares. Semana passada, tínhamos dois pacientes na UTI e cerca de três em leitos clínicos. Mas, em algumas semanas, nós tínhamos dez pacientes em UTI com Covid-19”, respondeu.

Raciocínio

Wilker Barreto disse, também, que o depoimento do diretor do hospital fecha uma linha de raciocínio da CPI da Saúde. “Houve o claro interesse do desvio do erário de forma escrachada na questão do Hospital de Campanha da Nilton Lins. Só que nós devemos levar em consideração uma situação que está ficando em apenas como burocrática. E as vidas perdidas, como a gente faz agora? Os dias perdidos… porque nós estamos falando de um hospital que está em pleno funcionamento. Estamos falando em leitos clínicos que teriam tempo de funcionalidade muito mais rápido dos que que foram montados no hospital de campanha”, disse.

Finalizando, Barreto relembrou os registros divulgados de pessoas em frente à unidade pedindo atendimento. “E aquelas cenas de cidadãos na porta pedindo pelo amor de Deus para serem atendidos? Quem é que responde por isso? Nós já temos o entendimento que houve um boicote. Os negócios falaram mais alto do que a vida. Nós fomos o Estado que passou semanas sendo manchete nacional e que, até hoje, não utilizaram leitos do Hospital Beneficente Portuguesa. O mais criminoso, é que temos uma fila de cirurgias eletivas gigantescas e, mesmo assim, não batem na porta do Hospital Beneficente Portuguesa. E sabe porque? Porque lá não tem cruzeta”, enfatizou o deputado.

Os membros da CPI também tentaram interrogar o superintendente do HUGV, Júlio Mário de Melo e Lima, que por problemas com a conexão de internet não conseguiu responder aos questionamentos e encaminhará suas repostas, por e-mail, tendo como prazo esta quinta-feira (2).

Publicações relacionadas

Homem morre após capotar carro na Avenida Torquato Tapajós, em Manaus

Redação

ANP vai licitar 16 blocos de gás e óleo no Amazonas

Redação

Com muito samba, aproximadamente 1,4 mil turistas desembarcam em Manaus para dar boas-vindas ao Ano Novo

Redação

Deixe uma resposta