Amazonas Destaques Manaus

CPI da Saúde ouve dono de empresa de vinhos que vendeu respiradores ao Estado

Manaus – A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde ouviu na tarde desta terça-feira (16) o depoimento de Fábio José Antunes Passos, o sócio-proprietário da FJAP Cia. LTDA, empresa que vendeu 28 respiradores ao governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), por quase R$ 3 milhões.

Fábio José Antunes Passos, o sócio-proprietário da FJAP Cia. LTDA, durante depoimento na CPI da Saúde (Foto: Thiago Modesto/GDC)

Fábio, ao chegar na sede da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM), disse que ia “falar a verdade”: “Não vou omitir nada”. O advogado de defesa do sócio-proprietário da FJAP pediu que ele fosse ouvido como investigado e não como testemunha. O deputado estadual Delegado Péricles, presidente da CPI da Saúde, disse que a investigação é pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), e lá ele é investigado. Já na CPI da Saúde, Fábio está como testemunha. “E com falso testemunho pode silenciar em algum questionamento. Aqui, todas as pessoas convidadas vão ser ouvidas como testemunha. Mesmo estando na investigação no STJ, aqui é outro departamento e ele vai permanecer como testemunha”, esclareceu Péricles.

Fábio Passos falou sobre o histórico da FJAP: “Minha empresa tem 19 anos, 99% das cotas são minhas e minha irmã tem 1%. Eu sou sócio administrador da FJAP. O nome são minha iniciais. Nunca fui processado, minha empresa é idônea. Mudei a sede para outra empresa, que é uma loja de vinhos. Ao longo desses 20 anos de empresa, eu nunca pensei que isso fosse acontecer. A empresa importadora é uma e a empresa de vinhos é uma outra. Todos os órgãos deram autorização para as empresas funcionarem. Fizeram uma maldade comigo, com minha família, com os funcionários e parentes, ao vincular a vinheria a FJAP Import, que já atua no ramo há 19 anos. A vinheria tem três anos”, disse o sócio-proprietário.

“A FJAP Import atua no comércio atacadista de gêneros alimentícios e possui várias atividades secundárias. Eu já importei porcelanato, embarcações, empilhadeira, pneus, peças. Só parei de importar quando o dólar começou a aumentar muito. No ano passado, dia 13 de novembro, eu tive que reativar o radar de importação. Estava com ideia de importar azeite e outros produtos”, completou Fábio.

Ao ser questionado pelo Delegado Péricles sobre qual o ramo de atuação das duas empresas, o empresário disse que as duas eram do mesmo ramo, que é do comércio atacadista de gêneros alimentícios, mas a FJAP possuía outras atribuições. “A vinheria é de 2017 e nunca vendeu nada para o governo. Já participei de várias licitações, em todos os governos. A maioria em gêneros alimentícios”, relatou Fábio Passos.

O presidente da CPI entrou, então, na questão da aquisição dos respiradores, e questionou quando o empresário tomou conhecimento desse processo da compra de ventiladores. “Quando o comércio fechou, eu conversei com muitos empresários do mundo. Eu procurei outras alternativas para não demitir meus funcionários. Entrei em contato com a China para ver se tinha luva, touca, máscara, esses produtos que estavam com alta demanda. Consegui máscaras e EPIs [Equipamentos de Proteção Individua], capote e termômetro digital. Então, procurei o meu despachante aduaneiro e perguntei se podia importar esses produtos. Ele disse que sim, e que eu só teria que ver se os produtos eram homologados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária [Anvisa]”, explicou Fábio.

O sócio-proprietário da FJAP disse que foi até a Susam e, lá, ele encontrou a gerente de compras, Alcineide Figueiredo Pinheiro. Entregou a ela o cartão de sua empresa e perguntou se havia algum produto que ele poderia vender para a Secretaria, e então informou que tinha contato com a China, Estados Unidos e Itália e estava impossível trazer produtos de lá, por conta dos confiscos.

A gerente de compras informou que a Susam precisava de 28 respiradores, 24 de um modelo e quatro de outro. Fábio, então, procurou os respiradores na internet e chegou até a empresa ResMed, que tem sede em San Diego, na Califórnia, EUA. Ele foi informado que a empresa tinha um representante em São Paulo. O proprietário da FJAP entrou em contato e soube que havia também um representante em Manaus, que era a Sonoar, empresa que ofereceu o produto a Susam nos dias 1º e 2 de abril, mas exigia o pagamento antecipado.

Fábio Passos procurou a Sonoar e negociou com a sócia-administradora da empresa, Luciane Andrade. Ela relatou que tinha apenas 19 respiradores, mas horas após a solicitação, Luciane entrou em contato com Fábio e disse que havia conseguido os 28 respiradores, porém, exigia pagamento antecipado. “Após a confirmação, eu mandei a cotação por e-mail para a Susam que confirmou a solicitação, e então fui atrás de realizar a compra”, disse o empresário.

No dia 6 de abril, Fábio procurou então a empresa Big Trading, e conversou com seu amigo, identificado como Cristiano, que emprestou o dinheiro e depositou na conta corrente de Fábio. No mesmo dia, Fábio transferiu R$ 1.653.000,00 para a empresa Sonoar, e no dia 7 pagou mais R$ 827.000,00. Ao ser questionado sobre quando foi feita a entrega dos respiradores ao governo, ele não soube responder.

O delegado Péricles destacou que o processo de compra dos respiradores foi concluído no dia 8 de abril e que a FJAP  lucrou quase 500 mil reais.

Wilker Barreto disse que não é comum que uma empresa tenha recebido o valor da venda tão rápido, e questionou se André conhecia alguém que trabalhava na Susam para facilitar esse pagamento e se ele já tinha certeza da venda, por isso comprou o produto antes mesmo de ser escolhido. André respondeu que não conhecia nenhum funcionário da Susam e que recebeu em tempo recorde pois sua empresa é competente. “Eu não tinha dúvidas que se não vendesse os equipamentos pro Amazonas, venderia para outro lugar, já que o mundo todo queria esse produto”, relatou André.

Na sequência Wilker disse que o depoimento de Luciane da Sonoar era diferente do depoimento do André da FJAP, e sugeriu que os depoentes fossem colocados frente a frente.

O deputado estadual doutor Gomes disse que a imprensa teria divulgado uma Fake News, já que a empresa de vinhos não era empresa que havia vendido os respiradores a Susam, e sim outra empresa. E questionou sobre qual empresa emitiu a nota da compra de respiradores. André disse que foi a FJAP que emitiu a nota e que não tinha nada de errado. “Todas as certidões foram enviadas. Após a empresa ser habilitada, estava tudo apto, porque mantenho minhas certidões ativas. Foi feito uma maldade, uma calúnia. É proibido ter duas empresas no mesmo endereço? Não tinha apoio de nenhuma mídia. Eu tinha muita fé em Deus”, disse o proprietário da FJAP.

Ao ouvir essa informação, o delegado Péricles questionou sobre a mudança do nome fantasia da empresa FJAP, que durante o processo licitatória, tinha o nome fantasia de Vinheria Adega, mesmo nome da Loja de Vinhos e que no dia 13 de abril, após a compra dos ventiladores, mudou o nome fantasia para FJAP Import. A Adega Vinheira foi criada no dia 28 de setembro de 2017, e desde então, o nome fantasia da empresa que vendeu os ventiladores a Susam, tinha o nome fantasia de Vinheria Adega. “Você comprou os respiradores da Sonoar no dia 6 de abril, vendeu para Susam no dia 8 de abril, tudo com o nome de Vinheria Adega, por isso relacionaram a venda de respiradores a loja de vinhos. O nome fantasia só foi mudado no dia 13 de Abril, é uma prova que o estado foi lesado. Você tem todo direito de ficar calado, mas não pode convencer a gente que não lembra o nome que a empresa tinha há dois meses”, relatou o delegado Péricles.

Texto atualizado às 19h54

Publicações relacionadas

AUXÍLIO EMERGENCIAL: CAIXA ABRE NESTE SÁBADO PARA TIRAR DÚVIDAS E PAGAMENTOS

Redação

MARCELO GENEROSO ESTREIA PROGRAMA NA TV BAND AMAZONAS

Redação

Petrobras está preparada para produzir nova gasolina em suas refinarias

Redação

Deixe uma resposta