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Coletivos femininos dão dicas de como se proteger de assédio no Carnaval

Comissão feminina se organiza contra assédio no carnaval dos blocos de rua. — Foto: TV Globo/Reprodução
Comissão feminina se organiza contra assédio no carnaval dos blocos de rua. — Foto: TV Globo/Reprodução

Comissão feminina se organiza contra assédio no carnaval dos blocos de rua. — Foto: TV Globo/Reprodução

No período carnavalesco, nem tudo é festa e folia, principalmente para as mulheres, que ficam expostas ao assédio e à violência durante eventos e blocos típicos do período festivo. Saiba o que fazer caso passe por situações como essas!

Quem já passou por isso, relembra com revolta a sensação de impotência diante do ocorrido, como a estudante de Jornalismo Gabriela Diniz*. Ela foi assediada por uma pessoa que fazia parte do seu círculo de amizades.

“Bateram na minha bunda uma vez durante um bloquinho. Eu estava dançando na rodinha já formada. E do nada, ele largou o tapão na minha bunda. Eu virei e falei “Tá doido !?” Meu namorado quase foi para cima dele, mas eu não deixei e ele ainda pediu desculpas. Pediu desculpas ao meu namorado, mas não para mim. Não denunciei, mas me sentir invadida. Não é porque eu estou de short curto e dançando que isso dá o direito de alguém vir me dar um tapa”, contou.

Mais do que sentir-se vulnerável enquanto mulher, a educadora Lindalva Monteiro* contou que se sentiu duplamente oprimida, por conta da sua orientação sexual.

“Enquanto eu ia em busca do banheiro, um cara veio atrás de mim, segurou minha cintura e pegou na minha bunda com certa força. Eu virei e larguei o tapa nele. Senti raiva. Eles fazem e acham que a gente vai aceitar e ponto. Acham que se estamos ali, estamos disponíveis. Parece que vêem as pessoas como objetos e que no carnaval tudo pode, tudo vale. Isso para mim não é só assédio, é um confronto contra minha orientação sexual, o preconceito e achar que tem a solução”, lamentou.

De acordo com o ministério da Saúde, a cada quatro minutos uma mulher é agredida no Brasil. Os dados mostram ainda que em 2018 foram registrados mais de 145 mil casos de violência (física, sexual e psicológica) em que as vítimas sobreviveram.

No carnaval, esses números tendem a aumentar, segundo ativistas de movimentos feministas e organizações de apoio à mulher. Pensando em reduzir esses índices, campanhas já foram criadas em todo o país, como a “Não é Não”, ação criado em 2017 contra a importunação sexual no período da folia por um coletivo de mulheres.

Além disso, alguns cuidados são repassados pela produtora cultural e ativista feminista Michelle Andrews. Segundo ela, toda atenção é necessária.

“Sempre buscar atividades culturais que estejam legalizadas, que tenham policiamento, que o produtor cultural desse bloquinho seja consciente, pois caso aconteça algum assédio e essa mulher precise buscar ajuda, ela encontre pessoas sensibilizadas que entendam e fiquem do lado dela”.

Outras dicas básicas, ainda de acordo com Michelle, são: beber muita água, anotar em um papel números de telefone de pessoas conhecidas, para o caso de o celular descarregar ou se perder.

“Caso aconteça algo nesse sentido. Andar em grupos, verificar se o evento tem policiamento, para não ficar vulnerável. É um pouco chato a mulher precisar estar sempre pensando na sua segurança, mas infelizmente vivemos em um país com altos índices de violência contra a mulher”, resumiu.

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