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Autocoleta para detecção do câncer do colo do útero pode salvar mulheres, afirma pesquisadora da Ufam

Estratégia, objeto de estudo da doutoranda em imunologia da Ufam, Suzana dos Santos Nunes, tema da palestra no encerramento da programação do “Outubro Rosa”, organizada pela Unimed Manaus

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), com uma taxa bruta de casos de câncer de colo de útero 102,3% maior que a brasileira, o Amazonas tem como um dos grandes desafios na saúde pública, e também na privada, conscientizar sobre a importância da prevenção à doença, através de ações individuais e coletivas. Ciente do papel que desempenha junto aos seus usuários e, de forma mais ampla, em favor da população amazonense, a Unimed Manaus realizou durante todo este mês de outubro uma série de atividades de conscientização sobre a importante da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de colo de útero.
Encerrando a programação do “Outubro Rosa 2021”, a Unimed Manaus, traz para discussão a importância da autocoleta para a detecção precoce do câncer do colo do útero. O tema será abordado, nesta quinta-feira (28/10), a partir das 15h, pela doutoranda Suzana dos Santos Nunes, da Universidade Federal do Amazonas, que estuda o assunto.
“Essa é uma estratégia nova de rastreio do câncer de colo de útero, que a mulher mesmo pode fazer. É ideal, principalmente, nos casos em que essas mulheres vivam em comunidades de difícil acesso, como ocorre aqui no estado do Amazonas”, uma região geográfica imensa e difícil logística, explica Suzana Nunes.
De acordo com a pesquisadora, a nova estratégia ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), mas já é praticada em outros países e, desde 2018, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) faz a recomendação da autocoleta, especialmente para as mulheres de vivem em áreas de difícil acesso ou que se recusam em fazer o papanicolau.
A falta de infraestrutura, de material de coleta e de profissionais especializados em lugares mais distantes, de difícil acessibilidade e com poucos recursos, restringe a oferta do exame de Papanicolau pelo SUS, e, consequentemente dificulta a detecção precoce do câncer do colo uterino.
Além disso, por se tratar de uma coleta íntima, algumas mulheres sentem constrangimento ou mesmo medo de dor pelo desconforto, o que pode levar à não realização do Papanicolau. A autocoleta vem para sanar esses problemas, uma vez que a própria mulher tem autonomia para realizá-la.
Autocoleta cervicovaginal
O método de exame denominado autocoleta cervicovaginal, para detecção precoce do câncer do colo do útero, quando a própria mulher realiza o exame de coleta íntima, substituiu o papanicolau, que é feito por médicos ou enfermeiros.
As pesquisas científicas mais recentes demonstram que a autocoleta cervicovaginal é muito vantajosa, pois, além de ser capaz de detectar precocemente o câncer do colo do útero, através da identificação da presença do DNA do vírus causador da doença, o papilomavírus humano (HPV), ela pode ser usada para identificação de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
“É um exame simples e seguro, pois basicamente basta que a mulher introduza, na vagina, 5 cm de uma escova semelhante a que o profissional da saúde usa para a coleta do exame Papanicolau, dê um giro de 360º graus por 5 vezes e armazene a coleta em um frasco contendo uma solução preservante específica”, explicou a pesquisadora.

Estatística
Dados Instituto Nacional do Câncer (Inca), apontam que a taxa bruta, que projeta o número de casos para cada 100 mil mulheres, é de 16,35 para o Brasil e 33,08 para o Amazonas. Em relação a Manaus, a situação é ainda mais grave, com uma taxa bruta de incidência de 51,94 para a mesma proporção de mulheres. Isso significa dizer que a maior parte dos casos está concentrada na capital.

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