Amazonas Destaques Manaus

‘Amizade (com Bolsonaro) não resolve os problemas de Manaus’

O empresário e pré-candidato à prefeitura de Manaus, Romero Reis (Novo) avalia que não há um racha na direita que reúne no estado apoiadores e aliados de Jair Bolsonaro. Pré-candidatos, que buscam o apoio do presidente, já chegaram a trocar farpas pelas redes sociais. Apesar de Bolsonaro já ter manifestado que deve ficar fora da campanha no 1º turno das eleições 2020, lideranças conservadoras no Amazonas estão ocupadas em tentar repetir a onda nacional de dois anos atrás, que elegeu Bolsonaro, para o plano municipal. Em entrevista ao A CRÍTICA, o empresário e estreante nas urnas comentou os motivos que o levaram a ingressar na política, a relação com o presidente Bolsonaro, a disputa pelo apoio do presidente e citou propostas do seu plano de governo. Confira os principais trechos:

O que o motivou a ingressar na política?


Newsletter – Receba os destaques do portal A Crítica todos os dias no seu e-mail.


A vida não tem sentido se você guardar só para você a experiência, liderança e toda a bagagem que acumula ao longo do tempo. É importante compartilhar e ajudar a sociedade a avançar. Servir a cidade é a nossa causa. Entendo que a melhor maneira de proteger as pessoas, a família e os negócios é ajudar a cidade.

O senhor está insatisfeito com os rumos da gestão pública tanto que está colocando seu nome. Quem é Romero Reis?

Nasci no interior de São Paulo. Com 15 anos fui para uma escola militar onde conclui o ensino médio. Por mérito e desempenho tive acesso a Academia militar das Agulhas Negras. No último ano da academia me tornei paraquedista militar e lá conheci o tenente Jair Bolsonaro. Após três anos de formado, prestei concurso para o Instituto Militar de Engenharia me tornei engenheiro de fortificação e construção e escolhi vir para Manaus. Cheguei em 1991 e estou aqui até hoje. Tenho filhos e netos nascidos aqui, aprendi a gostar e amar a terra. Vou continuar morando na mesma casa e andando no mesmo carro. Mas assim como amamos a cidade também estamos inconformados em como as coisas estão aí.

Como o senhor classifica a sua relação com o presidente da República: apoiador, conhecido ou amigo?

Amizade não vai resolver os graves problemas da cidade. Isso me parece mais um subterfúgio para se desviar dos problemas e as soluções. Naturalmente, por ter estado nos Agulhas Negras ao mesmo tempo que ele, temos uma identidade própria da formação. Mas o que nos liga mesmo é defender os mesmos princípios e ideias. Aquilo que é bom para o país. Tudo que o governo federal tem proposto é adequado. Já fez a Reforma da Previdência. Agora está se falando da Tributária. Tenho certeza que o governo também vai promover a Reforma Administrativa, permitindo criar um ambiente de negócios que vai gerar muito emprego e prosperidade.

O presidente Bolsonaro declarou que não vai fazer campanha no 1º turno. O senhor pretende tentar algum aceno dele de apoio à sua candidatura?

Buscar uma aceno do presidente me parece mais uma muleta do que você se colocar como deve ser. Nós temos identidade nas propostas. Temos conteúdo para apresentar soluções.

O presidente já gravou um vídeo em apoio a outro pré-candidato a prefeitura de Manaus que também é íntimo a ele. O senhor se sente traído?

De maneira nenhuma. Isso é parte das posições pessoais de cada um e é muito livre. Me sinto muito tranquilo porque não é apoio de A ou B que vai resolver os problemas da cidade. O que vai resolver é conteúdo, história voltada para isso e não simplesmente se proteger ou querer se valer dessa muleta.

Nas eleições municipais deste ano temos visto muitos pré-candidatos a prefeito de Manaus com discurso de direita. A direita está fragmentada?

Todas as pessoas têm as crenças e ideologias que praticam. Não vejo fragmentação. Nesse último momento tem sido mais interessante e aparecido candidatos que têm se declarado de direita. E mais importante que se declarar, é viver. Qual a história de vida das pessoas? Vivo do mercado. Tenho família, acredito em Deus e frequento a igreja. Defendo o direito das pessoas terem uma arma na sua casa por liberdade para que possa defender a sua vida, a família e a propriedade. Em qualquer país democrático e bem estruturado esse direito é inalienável. Digo não ao Estatuto do Desarmamento, não ao aborto e são posições que mostram que sou conservador nos costumes. E ao mesmo tempo liberal na economia. Quem gera emprego e renda não é o gestor público que muitas vezes por populismo e medidas eleitoreiras veiculada isso. É o empresário e quem tem que ter a sua vida facilitada.

O senhor disse que não há racha na direita. É muita gente pegando carona na figura do presidente?

Não posso responder pelos outros. Não tenho a intenção de ficar desmerecendo. Tenho a pretensão muito clara de identificar os problemas (de Manaus) e quais as soluções. Essa é a nossa linha de atuação. A eleição é fantástica e as pessoas vão poder comparar quais as propostas que estão desprovidas de interesse de poder. Não quero me tornar político profissional, não me enxergo na carreira.

O que lhe credencia ao cargo de prefeito de Manaus?

Manaus, como todas cidades com população de mais de dois milhões de habitantes, é bastante complexa e tem uma gama de problemas muito grandes. Cresceu, desde a década de 60, baseada em invasões e deixou um passivo enorme de infraestrutura. Menos de 12% da cidade é atendida por esgoto. O sistema de transporte coletivo não funciona. Temos graves problemas de infraestrutura de uma maneira geral, por exemplo, energia cara. Os serviços públicos ainda estão na era do papel e precisamos transformar para o digital e quando ocorrer 24 horas por dias, sete dias por semana e 365 dias no ano Manaus será inserida entre as melhores cidades brasileiras para se viver e trabalhar.

De que forma o senhor pretende mudar a realidade da cidade?

A nossa proposta vem de encontro a atender aquilo que as pessoas esperam. Não tem sentido ver uma máquina pública aparelhada. É preciso fazer uma profunda reforma administrativa para que haja mais recursos para investimentos. Para quê 2,5 mil cargos de confiança? Menos de 500 cargos são suficientes para fazer uma boa gestão municipal. É preciso rever a estrutura administrativa com o objetivo de ter sobras para investimentos em mais escolas, mais postos de saúde, mais remédio e um sistema de transporte coletivo que funcione. Saneamento é fundamental. Quando não se tem saneamento básico onera terrivelmente a máquina da saúde e vai deixando um passivo que tira a qualidade de vida.

O Novo é considerado um partido de elite e o senhor é expoente da classe empresarial. Isso pode lhe prejudicar na disputa? Como tem articulado a sua pré-campanha diante da população de baixa renda?

O Novo é um partido que defende que o indivíduo é o grande gerador de riqueza e de transformação. Não usa recurso público, os oito deputados federais não têm motorista ou carro oficial e não tem 40 assessores. Tem cinco ou seis e muitos deles são compartilhados entre os gabinetes. O Novo promoveu uma economia de mais de R$ 150 milhões ao longo do ano passado ao não usar auxilio moradia, auxilio paletó e indenizações. O partido precisa ser conhecido. Busque conhecer. É um partido que deseja tudo aquilo que as pessoas de bem, cidadão comum precisa e vai ter uma atuação cada vez maior dentro das próximas eleições.

De que forma pretende financiar a candidatura?

Com recurso próprio e de doadores oficiais. A lei permite doar um percentual do seu rendimento, esse recurso será declarado e segue o rito de prestação de contas. Vamos ter uma campanha bastante austera, mas com conteúdo e que vai ser capaz de mostrar para cidade quais são os problemas e as soluções de uma forma limpa, sem populismo e sem medidas eleitoreiras.

Entre as suas propostas está inclusa a erradicação da pobreza?

Manaus tem mais de 2 milhões de habitantes e milhares de pessoas que estão vivendo em condições abaixo daquilo que seria aceitável. Um dos grandes problemas é a geração de emprego centrada na Zona Franca. O modelo está sofrendo um ataque muito grande por conta da disruptura tecnológica. O Processo Produtivo Básico (PPB) que autoriza as indústrias instaladas aqui a produzirem  leva mais de anos e os produtos envelhecem em meses. Esse é um contraponto que precisa ser ajustado. É problema do prefeito sim atuar para agilizar o PPB. É problema do prefeito cuidar da segurança a nível de iluminação e cortar o mato dos terrenos baldios, tornar a guarda municipal operante, treiná-la e armá-la para proteger o patrimônio municipal, o circuito turístico e as escolas. Fazer com que o Código Florestal seja revisado para retirar entraves a investimentos. Não cosigo enxergar quais seriam as ações o prefeito de uma capital do porte de Manaus teria que fazer mais importantes do que essas que listei, pois são estruturantes.

Em um eventual segundo turno, qual partido ou grupo político o senhor não aceitaria apoio?

Nós temos uma linhagem de liberais na economia e conservadores nos costumes, então a possibilidade de nos alinharmos com partidos de esquerda, não é pelo partido, é pela ideologia, é muito complicada. Se quiser nos apoiar é sempre muito bem-vindo sabendo que as nossas causas são claras. Servir, jamais permitir que haja pagamento de vitória eleitoral com nomeação em secretarias, cargos ou divisão do poder. Isso que levou Manaus ao estado que se encontra agora. O que vai melhorar a vida de Manaus é pegar as boas práticas da iniciativa privada, agregar boa fé na gestão e com isso construir um futuro promissor para nossa cidade.

Publicações relacionadas

Coleta de assinaturas para partido de Bolsonaro vai até 18h deste sábado

Redação

Prefeito anuncia novos ônibus e outras medidas para melhorar o transporte coletivo

Redação

Secretária de Saúde testa positivo para Covid-19

Redação

Deixe uma resposta