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AM paga R$ 736 milhões em meio à crise da Saúde

Esse valor daria para pagar quase 15 mil respiradores mecânicos a um preço de R$ 50 mil, cada. Na sexta-feira (3), o Estado recebeu 15 aparelhos enviados pelo Ministério da Saúde.

Publicado em 4 de abril de 2020 às 14:56

Manaus – Em plena pandemia de coronavírus, que provocou colapso no sistema de Saúde da capital pela falta de leitos para pacientes graves, o governo do Amazonas já gastou o montante de R$ 736,8 milhões na rubrica restos a gastar para honrar gastos de gestões anteriores, como do governo José Melo, conforme o Portal da Transparência.

Esse valor daria para pagar quase 15 mil respiradores mecânicos a um preço de R$ 50 mil, cada. Na sexta-feira (3) à noite, o Estado recebeu 15 aparelhos enviados pelo Ministério da Saúde, em situação emergencial, por avião cargueiro da Força Aérea Brasileira (FAB), para o Hospital Delphina Aziz.

Os pagamentos foram feitos mesmo com o governo reconhecendo a situação de crise mundial na Saúde, conforme destacou na Mensagem 38/20, do dia 26 de março, para a Assembleia Legislativa do Estado (ALE), em que justificava o Estado de Calamidade Pública para a adoção de ações urgentes de resposta e controle da pandemia, com ao dispensa de licitação e contratações de pessoal.

No texto da mensagem encaminhada para o presidente da ALE, deputado Josué Neto, o governador Wilson Lima cita que, desde o final de janeiro, o Estado já sabia do grave problema que iria enfrentar, especialmente no setor de Saúde.

“Como é de vosso conhecimento, a Organização Mundial da Saúde (OMS), no final de janeiro do corrente ano, declarou emergência em saúde pública de importância internacional, em decorrência da infecção humana pelo novo coronavírus (Covid-19), tendo, posteriormente, classificado a situação mundial como pandemia”.

O Hospital Delphina Aziz está recebendo pacientes com o novo coronavírus (Covid-19) (Foto: Yago Frota)

Os gastos do governo quitaram débitos até da gestão do ex-governador José Melo, a exemplo de pagamentos para as construtoras Construmix e Matrix, a última com faturas de R$ 1,8 milhão, outra de R$ 1,2 milhão e ainda uma terceira de R$ 990 mil.

De acordo com o líder da Minoria na Assembleia Legislativa, deputado Wilker Barreto (Podemos), os profissionais da Saúde vem denunciando que estão há cinco meses de salários atrasados, o sistema está sem Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e em meio à pandemia do Covid-19, não há Equipamento de Proteção Individual (EPI) nos hospitais. Desta forma, Barreto considera que o Executivo realizou o pagamento dos exercícios anteriores sem o devido planejamento.

“O governo já queimou mais de R$ 730 milhões com despesas do exercício anterior, nunca vi isso. De uma dívida de R$ 1 bilhão, que poderia ser planejada ao longo do ano, já torraram mais de 60% do dinheiro do contribuinte. Os números são estarrecedores”, disse o deputado.

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