Cotidiano

Agenda de indigenista era sigilosa e atraso gerou suspeita de desaparecimento

MANAUS – Eliesio Marubo, procurador jurídico da Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari), afirma que a agenda do indigenista Bruno Araújo Pereira era mantida em sigilo por segurança e diz que notou o desaparecimento de Bruno e do jornalista inglês Dom Phillips, do jornal The Guardian, após atraso no horário programado para retorno.

Em entrevista à rádio CBN Nacional na manhã desta terça-feira (7), Eliesio Marubo afirmou que monitorava a agenda de Bruno na região amazônica. O indigenista e o jornalista desapareceram no Vale do Javari, no Amazonas, quando faziam o trajeto entre a comunidade ribeirinha São Rafael até a cidade de Atalaia do Norte (a 1.136 quilômetros de Manaus).

“Ele, quando vinha para a região, nós não divulgávamos a agenda para terceiros. Para a equipe da Univaja era uma equipe reduzidíssima que tinha acesso à agenda de Bruno. Ele me ligou dizendo que viria para a região, que traria o jornalista”, disse.

Marubo afirma que a Univaja já tinha um fluxograma de possíveis atividades em caso de desaparecimento e que há um protocolo de segurança para isso. “Na medida que não apareceu no horário combinado, nós demos uma carência de mais ou menos duas horas e como ele não apareceu, aí sim a nossa equipe que trabalha diretamente com ele passou a fazer buscas na região”, informou.

Marubo diz que a equipe visitou muitos lugares e que ele foi notificado por volta de meio-dia. “E de 12h em diante eu já saí de Tabatinga [a 1.107 quilômetros de Manaus] com três policiais militares e iniciamos as buscas no domingo mesmo. Tão logo não tivemos resposta, eu voltei dessa incursão por volta de 22h e no dia seguinte, segunda-feira, notificamos as autoridades”.

O procurador da Univaja acredita que Bruno e Dom sofreram alguma emboscada e que o barco em que estavam foi escondido. “Porque não é fácil de naufragar, tinha um equipamento específico dentro dele que impede de afundar. E se esse recurso tivesse sido empregado no domingo mesmo certamente nós já teríamos informações”, explicou.

De acordo com Marubo, Bruno conhece muito bem a região. “Eu estou morando na cidade há algum tempo, fazendo a representação da nossa organização e eu ouso dizer que Bruno conhece aquela região, onde desapareceu, melhor do que eu. E fora isso, ele conhece todo o Vale do Javari, tem contato muito bom com todas as pessoas, inclusive com ribeirinhos a invasores”, disse.

Segundo Marubo, há três suspeitos de envolvimento no sumiço. “Nós temos fortes indícios de que estas pessoas estão envolvidas no desaparecimento de Bruno e do jornalista Dom”, afirmou. “Teve um que disse que queria saber se Bruno era bom de tiro. E já havia ameaçado nossa equipe”, disse.

As duas testemunhas ouvidas pela Polícia Civil do Amazonas nesta segunda-feira, segundo Marubo, não estão entre os três suspeitos citados. Ele acredita que as testemunhas podem colaborar com a resolução do fato.

Marubo diz que a intenção de Bruno, com apoio de Dom Phillips, era começar uma conversa amistosa com as pessoas em torno da terra indígena e algumas comunidades que têm um histórico de invasão às terras protegidas.

O procurador da Univaja afirma que o desaparecimento só ganhou atenção das autoridades depois que a imprensa brasileira e internacional noticiou.

“Infelizmente, essa informação de que o governo brasileiro tem montado a força-tarefa desde o primeiro momento essa informação é falsa. A prova disso é que eu estou me empenhando nisso desde domingo. Embora a Polícia Militar não tenha teoricamente competência para falar desse caso, pois envolve um crime de natureza federal, a Polícia Militar foi a primeira que se prontificou a auxiliar a Univaja nas ações de busca desde o primeiro momento”, criticou.

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