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A dinâmica cruel dos juros

A redução sistemática da taxa básica de juros, a Selic, é um dos mecanismos que o Banco Central dispõe para estimular o consumo, que foi profundamente abalado pelo tranco sofrido pela economia brasileira com a pandemia do novo coronavírus. O mecanismo é simples, mas não automático: a adoção de taxa menor por parte do BC não obriga as instituições financeiras a seguirem o mesmo caminho.

Quando o BC altera a Selic para baixo, a rentabilidade dos títulos atrelados a ela também cai e, com isso, o custo dos bancos diminui. Seria natural que eles repassassem essa redução aos juros cobrados de serviços financeiros como empréstimos e financiamentos, mas, infelizmente, não é o que ocorre.

Na última quarta-feira, o BC cortou pela oitava vez consecutiva os juros básicos da economia, chegando ao menor índice histórico: 2,5%. Mas as taxas bancárias no País continuam muito elevadas, refletindo apenas timidamente o recuo promovido pela autoridade monetária. O que acontece com os juros é semelhante ao que ocorre no mercado de combustíveis.

Recentemente, a Petrobras promoveu uma série de reduções nos preços da gasolina nas refinarias, resultando em queda nos preços ao consumidor final em muitas cidades, mas não em Manaus. E não há ilegalidade nisso: no livre mercado, cada um pratica o preço que quiser dentro de sua proposta de negócio. Mas falta, sem dúvida, algum senso de moralidade.    

Da mesma forma, na prática, não é possível afirmar que financiamentos de veículos ou imóveis, por exemplo, devem ficar mais baratos porque a Selic foi reduzida. Até porque, com a esperada queda na renda da população, com reflexos na inadimplência, ficará cada vez mais difícil atender os rigorosos critérios exigidos pelas instituições financeiras. 

Os banqueiros avaliam os cenários para os próximos meses: a demanda por crédito deve crescer bastante em todos os segmentos, o que não estimula redução de juros. Por outro lado, o risco de futura inadimplência em face das incertezas quanto à velocidade de recuperação da economia os estimula a manter os juros em patamares elevados. É o pragmatismo do capital. Como convencer os banqueiros a reduzir de forma perceptível os juros e estimular de fato o consumo? O governo precisa dar sinais de que tem a situação sob controle e jogar luz sobre o futuro da economia. E esse é outro problema.

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