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Cerca de dois mil alunos ribeirinhos já deram início a ano letivo em Manaus

Condução escolar ribeirinha, em Manaus — Foto: Luciano Abreu/Grupo Rede Amazônica
Condução escolar ribeirinha, em Manaus — Foto: Luciano Abreu/Grupo Rede Amazônica

Condução escolar ribeirinha, em Manaus — Foto: Luciano Abreu/Grupo Rede Amazônica

Pouco antes das 6h, o professor de Artes Matheus Santos já está pronto para cruzar o Rio Negro. Ele não está só. Vários outros professores da Rede Municipal de Ensino também estão reunidos na Marina do Davi, na Zona Oeste de Manaus à espera de transporte. Só de barco, eles vão conseguir chegar às escolas onde trabalham.

Para esses educadores de escolas ribeirinhas, o ano letivo de 2020 começa mais cedo. “A gente precisa começar as aulas em janeiro pra poder seguir o trajeto do rio que começa a encher em janeiro e em outubro começa a secar, e a nossa dificuldade já é maior a partir de outubro”, explicou Matheus.

Trilhas tomadas por profissionais de escolas ribeirinhas, em Manaus — Foto: Luciano Abreu/Grupo Rede Amazônica
Trilhas tomadas por profissionais de escolas ribeirinhas, em Manaus — Foto: Luciano Abreu/Grupo Rede Amazônica

Trilhas tomadas por profissionais de escolas ribeirinhas, em Manaus — Foto: Luciano Abreu/Grupo Rede Amazônica

Não é de hoje que se sabe que os rios são como estradas na Amazônia. E são as águas que comandam até onde se pode chegar. O nível do Rio Negro por exemplo, varia em média 11 m, entre o pico da seca e o ponto mais alto da cheia. Quando o rio fica muito seco, os barcos não conseguem navegar. Professores e alunos então ficam sem condução e praticamente sem escolha. A viagem, que dura cerca de 30 minutos de barco, passa a ser uma cansativa caminhada de algumas horas sob sol forte ou chuva.

Na casa da Dona Lucileia, são quatro crianças em idade escolar. Todas começaram a estudar no início de janeiro. A família mora às margens do Rio Negro, na região do Tarumã.

Família Rabelo, da direita para esquerda: Henrique Coelho Rabelo, 8 anos. Luciele Coelho Rabelo, 10 anos. Gracyane Coelho Rabelo, 12 anos. Raycilane Coelho Rabelo, 14 anos. Lucileia da Silva Coelho, produtora rural. — Foto: Luciano Abreu/Grupo Rede Amazônica
Família Rabelo, da direita para esquerda: Henrique Coelho Rabelo, 8 anos. Luciele Coelho Rabelo, 10 anos. Gracyane Coelho Rabelo, 12 anos. Raycilane Coelho Rabelo, 14 anos. Lucileia da Silva Coelho, produtora rural. — Foto: Luciano Abreu/Grupo Rede Amazônica

Família Rabelo, da direita para esquerda: Henrique Coelho Rabelo, 8 anos. Luciele Coelho Rabelo, 10 anos. Gracyane Coelho Rabelo, 12 anos. Raycilane Coelho Rabelo, 14 anos. Lucileia da Silva Coelho, produtora rural. — Foto: Luciano Abreu/Grupo Rede Amazônica

“A gente se acostumou já com essa aula agora no início do ano. Pra gente, já ficou normal”, disse a mãe dos quatro irmãos que descem a ladeira de terra batida para entrar na lancha do transporte escolar.

Vinte e nove escolas ribeirinhas seguem o calendário antecipado em Manaus. São cerca de 2 mil alunos que começam a estudar em janeiro e só param em outubro. Além disso, eles não têm o recesso do meio do ano.

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação determina que os alunos estudem 200 dias letivos e tenham 800 horas de aula. Para dar conta dessa exigência da LDB, foi preciso ajustar o calendário escolar dos ribeirinhos.

“Nós iniciamos a partir do dia 2 de janeiro, trabalhando dois sábados letivos até o meio do ano, e onde seria a compensação dos professores fica pro final do ano, do encerramento do ano letivo, nós encerramos em outubro e a partir daí os professores tiram o recesso dos 15 dias e mais as férias compensatórias”, disse Edilene Pinheiro, Chefe da Divisão Distrital Rural da Secretaria Municipal de Educação.

Érika Araújo Souza, Diretora da Escola Municipal Canaã II. — Foto: Luciano Abreu/Grupo Rede Amazônica
Érika Araújo Souza, Diretora da Escola Municipal Canaã II. — Foto: Luciano Abreu/Grupo Rede Amazônica

Érika Araújo Souza, Diretora da Escola Municipal Canaã II. — Foto: Luciano Abreu/Grupo Rede Amazônica

Érika Souza é diretora da Escola Municipal Canaã II, localizada na Comunidade Julião, na região do Tarumãzinho, ela assumiu o cargo há um ano. No começo, estranhou um pouco o calendário antecipado, mas depois entendeu que obedecer a natureza era o melhor caminho.

“Quando a gente chega, não vou negar, não é tão simples assim. Porque todos os teus amigos, a tua família está de férias e você vai trabalhar, mas quando você começa a participar desse processo você entende que ele existe porque é melhor assim. Quando vai chegando outubro, vai ficando seco, vai ficando mais difícil da gente entrar nas comunidades e já é o período que a gente entra em recesso, então a gente se adapta a essa realidade”, explicou a diretora.

Entre os alunos, não há discordância: todos já estão integrados ao calendário ribeirinho.

“A gente é acostumado pela lancha que vem buscar a gente e deixa a gente pertinho da escola. E quando tá seco, andando pelo sol, é capaz da gente ficar doente, é muito ruim”, disse a Graciane Rabelo de 12 anos.

“Fica melhor para aproveitar o final do ano, curtir bem a família, então pra mim é melhor começar em janeiro e terminar em outubro”, comentou a Yasmim Mendes também de 12 anos.

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