Amazonino Mendes nega candidatura faz desabafo: ‘Estou triste com a política’

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Com a experiência de quem teve três mandatos de prefeito de Manaus, três de governador e um  de senador, Amazonino Mendes (PDT) afirmou, ontem, que está triste com a política: “Estou tão triste com tudo o que estou vendo”, disse o ex-governador em entrevista na qual também  negou que pense em se candidatar no próximo ano.

Amazonino esteve ontem na reitoria da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para fazer uma visita e se reunir com o reitor Cleinaldo Costa, o vice-reitor Mário Bessa e pró-reitores da instituição, a fim de conhecer o balanço dos 15 anos da universidade criada em sua gestão.

Questionado se seria candidato em 2018, ele disse que não recebeu nenhum convite e que queria falar sobre política. “Não falo em política. Estou tão triste com tudo o que estou vendo. Estou igual a qualquer um de vocês. Mesmo sentimento. Mesmo pensamento. Mesma angustia. Mas não se pode perder a fé. Fé perseverança e determinação”, afirmou.

O ex-governador afirmou que estará focado na vida pessoal e disse que não iria fazer avaliações sobre os atuais governos (Artur e Melo). “Nasci político e vou morrer político. Todo dia leio tudo, analiso e examino, fico calado e raramente falo. Mas eu pessoalmente, até então, me reservo ao fato de exercer as minhas angustias como qualquer cidadão”, disse. “Eu não faço avaliações e se as tenho guardo comigo. Não entro em detalhes pessoais, essas futricas. Acho que estamos acima dessas coisas”, disse ao ser perguntado sobre a eventual reaproximação de Melo e Braga.

Sobre as medidas adotadas  do governo do presidente Michel Temer (PMDB), como a  Reforma da Previdência, Amazonino Mendes disse ser favorável “como qualquer brasileiro responsável”. “Ou se faz uma reforma, ou daqui a sete, oito, dez anos nem o aposentado vai ter dinheiro para receber. Então, é uma questão lógica, é como disse o (Henrique) Meirelles isso não é uma opção, não tem alternativa, não tem saída. É importante conhecer. É muito ruim para a pessoa que vai se aposentar e fica preocupado com a extensão do prazo, do tempo. É uma angustia, mas as coisas são como devem ser”, afirmou.

Amazonino comparou a necessidade da reforma com a necessidade de aumento da tarifa de ônibus. “Se o prefeito não dá aumento, acaba com a frota, ela se arrebenta toda, quem sofre é o povo. Aquele aumento é ruim? É, mas é a solução. O aumento justo, não falo do aumento safado, sem vergonha, que cai das bombas para ajudar o empresário, mas o aumento correto. Então, é a mesma coisa. A gente tem que ser realista”.

Perguntado se acha que o preço da passagem de R$ 3,80, praticada atualmente é a justa, ele disse que não poderia opinar sobre o assunto. “Eu não estudei a planilha. Não posso ser irresponsável em dizer que está caro. Quem inaugurou o sistema fui eu em Manaus, quando prefeito a primeira vez, para se dar uma planilha, se fazer uma planilha da forma mais transparente possível e técnica. Isso é possível fazer, basta analisar, levantar. Aí você vai concluir se está correta ou não. Eu acho que é um erro que se comete é não ajustar preço. Isso não tem saída, é economia”, ressaltou.

Cidade universitária não seria o foco

Ao avaliar os 15 anos da UEA, Amazonino Mendes disse que a instituição tem cumprido o seu papel, principalmente no interior. No entanto, ressaltou que não investiria em uma cidade universitária.

“Se eu fosse investir na UEA, investiria em tecnologia e cursos. Eu não investiria numa cidade universitária. Daria um rumo que eu sempre quis dar, que é essa contribuição científica. Esse seria meu enfoque básico em relação à universidade”, declarou.

Amazonino, que deu início à UEA, ressaltou que a instituição já formou mais de 43 mil alunos, desde 2001. “A formação de seus alunos ao longo dos anos já diz tudo. A interiorização do curso universitário no interior do Amazonas. Inclusive arrastou a Ufam, que é a primeira universidade do Brasil, criada aqui em Manaus. A UEA também tem um papel histórico, quando nasceu, já nasceu do interior”, destacou Amazonino.

UEA possui mais de 300 doutores

Durante a visita de Amazonino Mendes, o reitor da UEA, Cleinaldo Costa mostrou o balanço dos 15 anos de criação da universidade, um dos destaques foi o crescimento tanto na graduação como nos cursos de mestrado e doutorado.

“Podemos ressaltar a ampliação da base de doutores. Recebemos a casa com 208 doutores, atualmente temos mais de 350. Um crescimento de 12% ao ano. Isso reflete em mais pesquisa, qualidade e robustez do corpo técnico que temos hoje”, disse Cleinaldo.

Amazonino afirmou que sempre pensou na UEA como um legado para a Amazônia. “A gente sempre acha, gostaria, que de fato, a UEA fosse uma grande redenção cultural na Amazônia, que é internacional. Singularíssima. Que pauta pesquisa, pauta tudo. No meu entendimento, é fundamentalmente esse: nortear o progresso cultural da Amazônia”, destacou Amazonino.
Saiba Mais – Reconhecimento 
Criador da UEA, Amazonino irá receber, neste ano, o título de doutor honoris causa. A honraria foi aprovada, na última quarta-feira, durante a reunião do Conselho Universitário. Segundo o reitor da UEA, Cleinaldo Costa, o título é um reconhecimento pela contribuição dada pelo político.

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